
Assine a petição que, num fim-de-semana, ultrapassou já as 5.000 assinaturas, incluíndo de personalidades de referência da vida pública portuguesa e não apenas ligadas à Música e à Cultura.
http://www.petitiononline.com/CFEEMP/
Um Blogue onde debatemos as Causas actuais que interessam aos Portugueses!


Gentil Leitor do Blog das Causas: Faça a experiência de contar a quantidade de filmes que mexem com os medos da América do Norte perder a liderança mundial, e espante-se que o Congresso Americano ainda não tenha nomeado um Grupo de Reflexão sobre o Iraque directamente saído dos executivos que se banham nas piscinas de Santa Mónica e Beverly Hills. Podem nem distinguir entre um árabe, um berbere e um turco, mas sabem que a chamada civilização ocidental está em baixo no que toca a triunfalismo e que a anti utopia mora nas ameaças de bombas que nunca mais chegam.
É esta a mensagem dos sucessos de bilheteira que receberam os Óscares, como Babel, Apocalypto, Diamantes de Sangue, Cartas de Iwo Jima, O Bom Pastor e Filhos dos Homens. As imagens do desastre recebem os aplausos da Academia. Cintilam as celebridades - Matt Damon, Brad Pitt, Cate Blanchett, Clint Eastwood, Clive Owen, Angelina Jolie, Leonardo Di Caprio, Mel Gibson, Robert De Niro. E em Hollywood, como em Washington, os autores de ficção política enviam os seus postais do Apocalipse
A primeira variante oferece a redenção. Os heróis de Diamante de Sangue e Filhos dos Homens dos homens aparecem nas aberturas dos filmes como cínicos e desesperados. Leonardo DiCaprio é um mercenário sem coração, no comércio ilegal do diamantes na Serra Leoa durante a guerra civil, em 1999. Clive Owen é um intelectual alienado na Londres do ano 2027, um deserto industrial e de almas perdidas. Sentem-se como ***** cada dia que passa. Não acreditam num acto de caridade ou de consciência. Mas contra a sua vontade e juízo transformam-se em imitações de Cristo. Owen salva uma jovem negra grávida, uma raridade em 2027 e traz a recém- nascida criança por entre fogos e disparos para um navio misterioso nomeado “Amanhã”. Owen morre mas com a promessa da civilização renascida. Di Caprio dá a vida por uma criança africana de oito anos, programada para o assassinato
O tema da redenção também está em Babel, nas caves da CIA
As narrativas de Holywood dirigem-se aos ecologistas e aos activistas dos direitos? Sim, a América devora a terra, os mercados financeiros estão-se nas tintas para os pobres, os subalimentados, as baixas colaterais, mas nem tudo está perdido. A América está a fazer coisas que as boas pessoas não devem fazer, mas sentir-se mal e pesaroso para com as vítimas de circunstância infelizes, é não perder a humanidade. Quem tem sentimentos, mantém a moral intacta, e a consciência viva. Que conforto é ir ao cinema….
As narrativas de Holywood dirigem-se à direita republicana e fundamentalistas cristãos? Esses não precisam que se lhes digam que têm corações puros e que a sua causa é justa. A América encontra-se cercada por inimigos sinistros e numerosos – doenças, russos corruptos, muçulmanos irritados e oceanos envenenados; não faz mal usar os bons velhos remédios contra as impurezas. É um apelo às armas. O mundo está cheio de animais predadores e é preciso defender a pátria contra o mal. A “guerra ao terror” irá durar uma eternidade, seja no Iraque seja em Apocalypto e Filhos dos Homens. E é com o sangue a espirrar e com o pisar das vinhas da ira que a república imperial se deve defender.
Feitas em Washington ou em Holywood, as imagens do desastre confirmam que anda por aí o bode expiatório; a América é o Pai terrível do Antigo Testamento ou o Filho crucificado do Novo Testamento. Ambas as leituras mostram os americanos como os bons rapazes deste mundo, libertos da prisão da história e livres de imaginar que a sua era nunca passará, e o dia do juízo nunca virá. A ilusão constitui o instrumento necessário do poder que nenhum império militar respeitável pode dispensar. O resto do mundo que se entretenha com estes postais do apocalipse.
MCH - Adaptado de Lewis Lapham - Mar/19/2007 De Harper Magazine

Conferência Why is an Academic Non-Confessional Study of Religions a Must - and What May It Look Like? proferida por Tim Jensen (General Secretary da International Association for the History of Religions)
14 de Março, 18H30, Universidade Lusófona (Auditório Victor de Sá)
Portugal é um dos poucos países da União Europeia sem uma associação específica para os investigadores do fenómeno religioso. Tentando ir contra essa situação, está neste momento a ser formada a Associação Portuguesa para o Estudo das Religiões. Esta conferência é a primeira actividade da comissão de instalação da associação.
O promotor da conferência é Paulo Mendes Pinto, director do Centro para o Estudo das Religiões e do Curso de Licenciatura de Ciências da Religião da UL.




Os verdadeiros pensadores do século XX - criadores de verdades e destruidores de mitos - dificilmente encontram eco numa época como a nossa, por duas ordens de razões. Em primeiro lugar porque, embora a nossa época já não acredite em ideologias - uma vez que a ciência desmistificou os respectivos fundamentos unilaterais - continua a viver e pensar segundo categorias ideológicas e sem um pensamento matricial capaz de acolher contributos dispersos por metodologias diversas. Em segundo lugar, predomina entre as diversas correntes filosóficas um apartheid teórico a ponto de os respectivos vocabulários serem mutuamente inaceitáveis, o que dificulta a renovação da filosofia. A situação é a de os filósofos estarem divididos entre si pela paz da ignorância mútua e pelo que imaginam ser o (seu) universo.
Homenagear Agostinho da Silva - como sucedeu no recente Congresso de Novembro de 2006 em Lisboa e Porto - é combater este apartheid entre filosofias e entre filosofias e outros saberes. Ele foi o português que vai para o Brasil que é “Portugal à solta” e que regressa ao solo físico da pátria de onde nunca saiu espiritualmente. É o leigo que faz figura de profeta espiritual, sempre peregrino por uma verdade maior.


Ideias Feitas em Lugares Comuns, do Zé Abrantes. Um abraço para ele!

