Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org
Divulgação 3-2007
No próximo dia 23-02-2007 (Sexta-Feira), às 21:30 horas, na BibliotecaMunicipal de Grândola, será apresentado o livro OLIVENÇA NO LABIRINTO DA SAUDADE,pelo seu co-autor CARLOS CONSIGLIERI, da Direcção do Grupo dos Amigos deOlivença. A sessão é organizada por Diogo Ventura e tem o apoio da Câmara Municipalde Grândola. Convidam-se todos os amigos e apoiantes da causa de Olivença a participarem na iniciativa. http://bmgrandola.blogspot.com/2007/02/apresentao-de-livro.html
Lx., 21-02-2007. SI/Grupo dos Amigos de Olivença
NOTA: Quero também aproveitar para referir que a Administração Regional de Coímbra do Fórum da Democracia Real ( http://monarquia-portugal.forumactif.com ), liderada pelo meu caro amigo Vasco Mantas, estará também presente na iniciativa. Isto é um verdadeiro exemplo de militância!!!
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segunda-feira, fevereiro 19, 2007
sábado, fevereiro 10, 2007
Divulgação do GAO
Pela irreverência, aprecie-se o vídeo «A Tomada de Olivença: português que é português tem de chatear um espanhol pelo menos uma vez»: http://31tv.blogs.sapo.pt/, em exibição no «YouTube».
O vídeo teve repercussão em diversos meios e suscitou, como é habitual, a atenção e escrutínio das autoridades espanholas...
Na edição de hoje, o diário «24 Horas» publica uma saborosa reportagem sobre o assunto, assinada por Luís Maneta: 11-02-07
BANDEIRA PORTUGUESA FOI IÇADA EM ESPANHA - PORTUGUESES "RECONQUISTAM" OLIVENÇA
"Não há motivos para os espanhóis se sentirem ofendidos. Dar um sentido de humor às coisas é uma forma de as desdramatizar. O problema existe, toda a gente sabe, mas nada impede que se brinque com isso", diz Carlos Luna, do Grupo dos Amigos de Olivença (GAO).
Assegurando que o GAO "nada teve que ver" com a brincadeira, Luna diz que as autoridades espanholas costumam "reagir muito mal a este tipo de coisas" e lembra a "forte pressão" exercida há dois anos pela Guardia Civil Quanto às motivações, ficam expressas nos primeiros segundos: "Português que é português, chateia um espanhol pelo menos uma vez".
Grupo dos Amigos de Olivença
Divulgação 2-2007
O vídeo teve repercussão em diversos meios e suscitou, como é habitual, a atenção e escrutínio das autoridades espanholas...
Na edição de hoje, o diário «24 Horas» publica uma saborosa reportagem sobre o assunto, assinada por Luís Maneta: 11-02-07
BANDEIRA PORTUGUESA FOI IÇADA EM ESPANHA - PORTUGUESES "RECONQUISTAM" OLIVENÇA
"Não há motivos para os espanhóis se sentirem ofendidos. Dar um sentido de humor às coisas é uma forma de as desdramatizar. O problema existe, toda a gente sabe, mas nada impede que se brinque com isso", diz Carlos Luna, do Grupo dos Amigos de Olivença (GAO).
Assegurando que o GAO "nada teve que ver" com a brincadeira, Luna diz que as autoridades espanholas costumam "reagir muito mal a este tipo de coisas" e lembra a "forte pressão" exercida há dois anos pela Guardia Civil Quanto às motivações, ficam expressas nos primeiros segundos: "Português que é português, chateia um espanhol pelo menos uma vez".
Grupo dos Amigos de Olivença
Divulgação 2-2007
segunda-feira, janeiro 29, 2007
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Geminação entre Olivença e Cadaval

Integrado nas comemorações do 109º Aniversário da Restauração do Concelho de Cadaval, realizou-se um acordo de geminação deste Município com o Município de Olivença.
O acordo de geminação, conforme informou a Câmara Municipal do Cadaval, visa a promoção de relações culturais, associando as forças vivas dos dois Concelhos, que estão profundamente ligados, em termos históricos.
Na concretização do acto, esteve presente uma forte e ilustre representação de Olivença, chefiada pelo Presidente do Município, Sr. Ramón Rocha, na qual se integravam o Rancho Folclórico «A Azinheira», a Filarmónica de Olivença e muitos oliventinos.
Foi em clima de grande solidariedade e comunhão que a população do Cadaval recebeu e acompanhou a representação oliventina. Como é norma nas ocasiões em que Olivença e os Oliventinos visitam qualquer outra terra portuguesa, a sua presença não deixa de sensibilizar e entusiasmar todos os portugueses.
Na ocasião, o Sr. Presidente do Município de Olivença cumprimentou o Sr. Duque de Bragança que, a propósito, propôs a criação de “uma espécie de condomínio”, em que o rei de Espanha e o Presidente da República portuguesa seriam “simultaneamente chefes de Estado do território autónomo de Olivença”.
Lx., 14-01-2007.SI/Grupo dos Amigos de Olivença
Dom Duarte não assistiu ao acto de geminação com Olivença, explicando os motivos, tendo-me despedido no fim do almoço. Aproveitou para explicar aos meios de comunicação sociais presentes qual a verdade histórica e política deste concelho português sob administração espanhola e pediu ao Presidente da Câmara que corrigisse a ortografia da placa com o nome da Rua de Olivença , escrita com um Z!
Será só substituir um azulejo, pois cada letra tem um.
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Se até a CIA diz.....
Transnational Issues
Disputes - international:
Portugal does not recognize Spanish sovereignty over the territory of Olivenza based on a difference of interpretation of the 1815 Congress of Vienna and the 1801 Treaty of Badajoz
Illicit drugs:
gateway country for Latin American cocaine and Southwest Asian heroin entering the European market (especially from Brazil); transshipment point for hashish from North Africa to Europe; consumer of Southwest Asian heroin
This page was last updated on 30 November, 2006
Disputes - international:
Portugal does not recognize Spanish sovereignty over the territory of Olivenza based on a difference of interpretation of the 1815 Congress of Vienna and the 1801 Treaty of Badajoz
Illicit drugs:
gateway country for Latin American cocaine and Southwest Asian heroin entering the European market (especially from Brazil); transshipment point for hashish from North Africa to Europe; consumer of Southwest Asian heroin
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segunda-feira, dezembro 04, 2006
OLIVENZA - OLIVENÇA
EL PAÍS (Espanha), 04-12-2006 refere Olivenza Olivenza, el pueblo más portugués de España: fue Olivença durante 504 años, desde 1297 hasta 1801..Según los vecinos de la "muy noble, notable y leal villa", en Olivenza apenas se habla ya la lengua de Camoens, aunque sus habitantes la llaman"la vila" (en portugués), aunque muchos de los ancianos que juegan al tuteen el Hogar del Pensionista discuten y blasfeman en perfecto portugués y muchos escolares de primaria y secundaria estudian el idioma en los colegios desde hace algunos años.Lx., 04-12-06.SI/Grupo dos Amigos de Olivença
Rua Portas S. Antão, 58 (Casa do Alentejo), 1150-268 Lisboa
www.olivenca.org
olivenca@olivenca.orgTlm. 96 743 17 69 - Fax. 21 259 05 77
segunda-feira, novembro 27, 2006
Actividades do GAO
Grupo dos Amigos de Olivença www.olivenca.org
Divulgação 15-2006
A)No próximo dia 30-11-2006, pelas 18:30 horas, na Livraria Ferin, Rua Novado Almada, 70/74, Lisboa, é apresentado o livro «Olivença no Labirinto da Saudade», com pinturas de Serrão de Faria e texto de Marília Abel e Carlos Consiglieri. A obra terá apresentação do Presidente do Grupo dos Amigos de Olivença. *
B)No dia seguinte, pelas 16:00 horas, o Grupo dos Amigos de Olivença participará, como habitualmente, nas Comemorações do 1.º de Dezembro, na Praça dos Restauradores, Lisboa,. Contamos com a presença, em ambas as iniciativas, de todos os amigos einteressados pela causa de Olivença!
Lx., 27-11-06.SI/Grupo dos Amigos de Olivença
Divulgação 15-2006
A)No próximo dia 30-11-2006, pelas 18:30 horas, na Livraria Ferin, Rua Novado Almada, 70/74, Lisboa, é apresentado o livro «Olivença no Labirinto da Saudade», com pinturas de Serrão de Faria e texto de Marília Abel e Carlos Consiglieri. A obra terá apresentação do Presidente do Grupo dos Amigos de Olivença. *
B)No dia seguinte, pelas 16:00 horas, o Grupo dos Amigos de Olivença participará, como habitualmente, nas Comemorações do 1.º de Dezembro, na Praça dos Restauradores, Lisboa,. Contamos com a presença, em ambas as iniciativas, de todos os amigos einteressados pela causa de Olivença!
Lx., 27-11-06.SI/Grupo dos Amigos de Olivença
terça-feira, novembro 21, 2006
Tribunal da Relação dá razão ao Grupo dos Amigos de Olivença

Tribunal da Relação dá razão ao Grupo dos Amigos de Olivença
e determina abertura de Instrução Governantes do Estado Espanhol arguidos em processo penal O Tribunal da Relação de Évora, dando total provimento ao Recursoapresentado pelo GAO, no âmbito do Processo Penal que corre na Comarca deElvas relativo às obras ilegais efectuadas na Ponte de Nossa Senhora daAjuda, determinou que o Tribunal Judicial de Elvas realizasse a InstruçãoPenal naqueles autos, devendo ser constituídos arguidos os representantesdo Governo Espanhol (Ministro do Fomento, Director General de Carreteras eSub-director General de Arquitectura), os Administradores da SociedadeFreyssinet, SA, e os Presidentes do Instituto Português do PatrimónioArquitectónico e da Câmara Municipal de Elvas.Oportunamente, o GAO participou das referidas entidades pela prática decrimes públicos de dano (quanto aos governantes espanhóis e aosadministradores da empresa empreiteira) e de denegação de justiça (quantoaos titulares das instituições portuguesas), ilícitos cometidos com aintervenção clandestina e ilegal no indicado Imóvel de Interesse Público -a Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, situada entre Elvas e Olivença - emMarço de 2003, tendo-se constituído Assistente nos autos.Em acórdão claro e impressivo, o Tribunal da Relação de Évora decidiuagora, «concedendo provimento ao recurso, revogar o despacho recorrido, quedeverá ser substituído por outro que admita o requerimento para abertura deinstrução formulado, não ocorrendo fundamento legal impeditivo».O GAO, congratulando-se com o Acórdão ora proferido, aguarda com muitaexpectativa o desenvolvimento do processo penal - que, como Assistente,continuará a acompanhar - confiando que, naturalmente, não deixará de serapurada a responsabilidade das entidades arguidas, designadamente a dosrepresentantes do Governo Espanhol.
Pode consultar-se o texto do Acórdão em:
www.olivenca.org/imagens/TRelacao_Evora_Prc_2170_05.pdf
domingo, novembro 12, 2006
Olivença back to Portugal
Grupo dos Amigos de Olivença
Divulgação 12-2006
Está em curso na Net um «abaixo-assinado», em inglês, da autoria de Sam Gomes, de Londres, dirigido a «The Ambassador of Spain», em que se denuncia a actual situação de Olivença. Pelo interesse da iniciativa, e deixando ao critério de cada um subscrevê-la, transcreve-se:
Divulgação 12-2006
Está em curso na Net um «abaixo-assinado», em inglês, da autoria de Sam Gomes, de Londres, dirigido a «The Ambassador of Spain», em que se denuncia a actual situação de Olivença. Pelo interesse da iniciativa, e deixando ao critério de cada um subscrevê-la, transcreve-se:
«Olivença back to Portugal»
«Olivença back to PortugalOlivenza is a Portuguese territory illegaly occupied by Spain. Portugal does not recognize the Spanish sovereignty over the Olivenza territory. Therefore, the border between these two countries in theOlivenza region has never been defined- in the delimitation of the border between the two Iberian states 100 landmarks have not yet been placed. The rigths of sovereignty that Portugal possesses over Olivenza are unarguable and no expert in International Law can question it. The Portuguese Constitution, in Article 5, number 3, makes it impossible for that territory to be given to Spain. Thus the only solution to this peninsular litigation lies in the fulfilment of the Vienna Treaty of 1815, whereby Spain pledged to return Olivenza to Portugal, which has not happened so far.»
segunda-feira, novembro 06, 2006
A Esquerda e o Iberismo
ALENTEJO POPULAR (Beja)02-Novembro de 2006
«Do fantasma do Iberismo à dominação económica espanhola» Miguel Urbano Rodrigues Antes e depois da visita de Cavaco Silva a Madrid, alguns órgãos decomunicação social aproveitaram o acontecimento para retirar de arquivosbolorentos o tema do iberismo e agitar esse fantasma. Promoveram sondagensque apresentaram resultados muito semelhantes. Quase metade dos espanhóisseriam favoráveis à existência de um único estado na Península e um quartodos portugueses desejariam a fusão com a Espanha. O Público dedicou três paginas ao assunto. Numa delas o correspondente deEl Pais em Lisboa, em tom que navega entre o serio e o irónico, reflectesobre a hipótese da criação de «uma nação única».O que chama a atenção nesses s textos e noutros publicados na imprensa é aleviandade da maioria dos comentários e depoimentos e o silêncio sobre duasquestões, essas sim, importantes:1. Nenhum dos autores e entrevistados manifesta curiosidade pelo súbitointeresse dos media pela problemática da integração de Portugal na Espanha.Ninguém pergunta por que se levanta de repente na comunicação social estaalgazarra tonta em torno do iberismo.2. Em nenhum dos artigos lidos encontrei qualquer referência à avassaladoracolonização económica de Portugal pela Espanha.No labirinto de argumentos invocados a favor e contra o projecto ibéricoidentifiquei um denominador comum: a conclusão de que portugueses eespanhóis se assemelham como dois irmaos. Até Miguel Bastenier, quediscorda da Ibéria única, escreveu na sua coluna de El Pais, que «não hadois países que se pareçam mais».
O MITO E A REALIDADE
Uma extensa e sinuosa fronteira separa, na aparência artificialmente,Portugal da Espanha. Mas é suficiente atravessá-la e logo, ao entrar nospueblos e nas vilas da raia, qualquer estrangeiro percebe que somos povosmarcados por profundas diferenças.A historia que nos diferenciou com lentidão - somos filhos da Galiza-principiou a cavar abismos culturais entre os dois países após a Revoluçãode 1640 que pôs termo à breve união dinástica . A partir de então, ocastelhano que, era de uso comum, inclusive na literatura, entre osportugueses instruídos, quase deixou de ser falado. Portugal voltou-se paraa França e durante três séculos o povo de Voltaire passou a ser areferência cultural.Distanciados por um século, Eça e Saramago contemplam e sentem a França e aEspanha sob perspectivas que têm muito pouco de comum.Mas é transparente que a influência de Paris como fonte de inspiração, nocaminhar do Portugal urbano, não foi substituída, ao desaparecer, por umapresença espanhola. Para a juventude, as grandes referencias são hojeanglo-saxónicas nos mais diferenciados aspectos da vida quotidiana e naadopção de valores culturais. É um facto que acultura norte-americana, sobretudo a sub cultura deexportação, marca hoje decisivamente o comportamento social da totalidadedas sociedades europeias. Os efeitos - do choque produzido não são, porem,os, mesmos, da Suécia à Itália, da França à Grécia.A Espanha, na transição do fascismo para um regime de fachada democrática,tem assimilado o pior do neoliberalismo globalizado e da chamada macworldcultura. O autóctone e o importado fundiram-se numa amalgama na qual aherança mediterrânea - sobretudo a de Roma e do Islão- cede perante aofensiva de um capitalismo cuja peculiaridade regional é de uma enormeagressividade.A burguesia portuguesa, impressionada pelas taxas de crescimento do PIB nopaís vizinho, cita com respeito o «milagre espanhol». Nem sempre o afirmaexplicitamente, mas admite que é um factor de peso a favor de uma união coma Espanha. A Espanha passou inclusive a ser um país exportador de capitais,o que suscita a sua admiração. Mas o que é, afinal, esse «milagre»?O capitalismo espanhol é hoje um dos mais predatórios do mundo. Uma revistatão insuspeita pela sua fidelidade ao neoliberalismo como a Newsweekcomparou já a actuação na América Latina das transnacionais da Espanha aoconquistador do México Hernan Cortés, responsável pela destruição dacivilização azteca.O governo de Madrid repete com orgulho que cinco séculos após a chegada deColombo ao Novo Mundo os investimentos directos espanhóis na América Latinasomente são superados pelos dos EUA. Mas por que preço para os países ondeo capital espanhol se instala?Para citar apenas os casos mais chocantes, a Repsol, a Telefónica e o BancoSantander aparecem aos olhos das forças progressistas da Argentina, doBrasil, da Bolívia, da Colômbia e do Chile, entre outros, como polvostentaculares do capital. Não apenas pela sobrexploraçao dos trabalhadores,também por surgirem envolvidos em escândalos, roubalheiras e violações dasoberania dos Estados onde desenvolvem a sua actividade.Aliás, mesmo encarado sob um angulo exclusivamente económico e financeiro,o «milagre» espanhol tem pés de barro.Na ultima década o motor do crescimento do PIB tem sido o boom daconstrução, o que segundo Le Monde e o The New York Times, anuncia temposdifíceis porque o sector imobiliário, saturado, perdeu o dinamismo e acusao efeito da subida da taxa de juros.A essa fragilidade soma-se uma grande dependência do turismo, uma fonte dereceitas extremamente instável.Os iberistas, ao esboçarem o panorama de uma Espanha pletórica de energias,exemplo de progresso e criatividade numa Europa estagnada, simulam tambémesquecer que o país exibe a mais alta taxa de desemprego dos 15 membros daUnião Europeia anterior ao alargamento.No aranzel levantado em volta das vantagens e desvantagens da integração dePortugal na Espanha não aludem sequer os participantes no abstruso debate aracismo e à xenofobia que fazem hoje da pátria de Cervantes um dos paíseseuropeus onde os imigrantes, sobretudo os magrebinos e os equatorianos ecolombianos, são mais discriminados. Não. Preferem discorrer sobre temas como a localização da capital de umaIbéria unida, a estrutura institucional do Estado - Federação ou simplestransformação de Portugal em mais uma Região Autónoma- e ,finalmente quepapel seria em tudo isso o do Rei D Juan Carlos de Bourbon .São mínimas as referências à incapacidade secular demonstrada pelo PoderCentral espanhol para conviver democraticamente com as nações hegemonizadas por Castela. Não obstante afigura-se-lhesnatural que Madrid, repressora da fome de liberdade de bascos e catalãos,possa absorver tranquilamente Portugal. Na abordagem das peculiaridades que diferenciam e aproximam portugueses eespanhóis fala-se do bacalhau, do fado, do flamenco , de marialvas esenhoritos, dos dois idiomas, mas em todo essse festim de leviandades naoidentifiquei um depoimento que tocasse mesmo ao de leve numa questao defundo: o modo de encarar a existência, o comportamento no quotidiano deportugueses e espanhóis, sejam estes castelhanos, catalãos ou bascos, poroutras palavras, a atmosfera humana,o espectáculo da vida oferecido porambos os povos.Essa omissão é definidora da inutilidade e do ridículo da ressurreição dofantasma do iberismo. Porque o desencontro de idiossincrasias ilumina bemuma realidade: longe de serem «muito parecidos», portugueses e espanhóisdistanciaram-se progressivamente, exibindo atitudes quase antagónicasperante a grande e breve aventura da vida.Vivo em Serpa, na Margem Esquerda do Guadiana. É suficiente atravessar afronteira e entrar pela Província de Badajoz ou pela de Huelva e parar emqualquer pueblo para sentir uma profunda diferença. Eles trabalham a horasdiferentes, transformam o culto do aperitivo num instrumento de convívio,comem a horas diferentes. O ruído é ali componente da vida, do conceito doslazeres. Em Madrid ou Barcelona, tão desiguais, essas diferenças na atitudeperante a vida, na forma de a percorrer e desfrutar, são ainda maisacentuadas.Não critico, registo o inocultável. Essa especificidade espanhola não acompanhou os senhores da Conquista.Na América Latina hispano-india, o fluxo do quotidiano - com a únicaexcepção do México - é balizado pela norma europeia . Come-se, trabalha-see convive-se em horários semelhantes aos dos países da União Europeia.Outra omissão em todos os textos em apreço, na imprensa de Lisboa e Madrid,é a falta de referências à colonização económica de Portugal pela Espanha.O processo em curso é avassalador. Ha três décadas a Espanha não existiapraticamente como parceiro comercial de Portugal. Hoje ocupa o primeirolugar nas importações portuguesas. Os nossos vizinhos souberam aproveitaros mecanismos da Comunidade Europeia. Mas não ocupam somente uma posiçãohegemónica no comércio. A invasão do capital espanhol é diluviana. A bancaespanhola conquistou uma parcela importante do mercado português. O mesmoocorre com a hotelaria e as grandes lojas transnacionais como El CorteInglês e Zara.As imobiliárias espanholas invadem as nossas cidades, do Minho ao Algarve. O processo de colonização pacífica, no âmbito do funcionamento do mercado,assume facetas particularmente alarmantes no Alentejo.Capitalistas espanhóis compraram já as melhores terras no perímetro doAlqueva. Adquiriram milhares de hectares, sobretudo no Distrito de Beja,para criação de porcos, instalação de lagares e plantação de oliveiras evinhas.Essa invasão do capital espanhol é obviamente festejada pelo Governo deSocrates e pela grande burguesia como muito positiva. Saúdam osinvestidores espanhóis como empresários agentes do progresso. Agradecem.Com A espontaneidade da nobreza de 1383 a saudar D João De Castela e anobreza de 1580 a alinhar com Filipe II. Essa forma de dominação económica encobre, afinal, uma modalidade deintervenção imperial.O correspondente em Lisboa de El Pais garante que «o imperialismo espanholestá definitivamente liquidado». Mas a sua peremptória afirmação apenas evidência que ou desconhece o queseja o imperialismo ou pretende dissipar no berço temores que identifica emamplos sectores do povo português.A Espanha não tem mais colónias. Nem passa pela cabeça de qualquergovernante espanhol conquistar Portugal pelas armas.Mas a actuação do capital espanhol na América Latina configura uma forma deimperialismo. Embora diferente, mais discreta, a estratégia subjacente àpolítica dos investimentos maciços em Portugal é igualmente inseparável deuma concepção imperialista das relações entre os povos.Alias, contrariamente ao que sustentam os apologistas da política deZapatero, apresentada como social democrata e progressista, ela, nofundamental caracteriza-se pela fidelidade ao neoliberalismo e peloalinhamento com o imperialismo.O presidente do Governo de Madrid comprometeu-se nas vésperas das eleiçõesque levaram o PSOE ao poder a retirar as tropas espanholas do Iraque. Essefoi um grande trunfo eleitoral.Cumpriu. Mas quase logo foram enviados para o Afeganistão forças doExercito espanhol para ali combaterem, integradas no dispositivo da Nato, ainsurreição em curso naquele pais. Ora essa é outra guerra imperialista.A Espanha é- não devemos esquece-lo- um dos países da União Europeia quenos últimos anos tem colaborado mais activamente ,através das suas forçasarmadas, com a estratégia de dominação mundial do EUA. O discurso deZapatero tenta negar essa evidência. Mas os factos negam-lhe as palavras.Podem argumentar os defensores do iberismo que Portugal também enviouforças para a Bósnia, Afeganistão e o Iraque por decisão de sucessivosgovernos. Assim aconteceu. Mas a pequena dimensão desses contingentes éesclarecedora da diversidade de atitudes dos povos de Portugal e Espanha.Sócrates é um medíocre ambicioso, profundamente reaccionário. No campointernacional as suas tomadas de posição reflectem a orientação transmitidapor Washington. Mas está consciente de que o povo português conserva viva amemória da guerra colonial desaprovou desde o início as agressões ao Iraquee ao Afeganistão, mascaradas de intervenções em defesa da liberdade e dademocracia. Daí o caracter inexpressivo da presença de militaresportugueses naqueles dois países. Nem Cavaco ousaria dizer-lhes, como o fezo Rei de Espanha em visita às suas tropas, que estão a servir a Pátria e osmais nobres ideais humanistas.Para terminar quero esclarecer que admiro muito a outra Espanha, a Espanhamestiça, nascida de culturas diferenciadas, a Espanha de Cervantes( oQuixote, lido e relido, continua a ser para mim um livro de cabeceira) e deGoya , de Dolores Ibarruri e Lister, a que se bateu contra o fascismo ehoje condena nas ruas o neoliberalismo, as guerras imperiais e a monarquiaridícula e corrupta que as aplaude .Essa Espanha, fraterna, revolucionaria, alinha, tenho a certeza, comaqueles, como eu, que apontam como farsa este alarido dos meios decomunicação social na campanha que desenterrou o espantalho do iberismo.Sou, como comunista, internacionalista. Mas aprendi nos combates da vidaque o universal mergulha as raízes no nacional.
Miguel Urbano Rodrigues "Alentejo Popular" (Beja)02-11-06
«Do fantasma do Iberismo à dominação económica espanhola» Miguel Urbano Rodrigues Antes e depois da visita de Cavaco Silva a Madrid, alguns órgãos decomunicação social aproveitaram o acontecimento para retirar de arquivosbolorentos o tema do iberismo e agitar esse fantasma. Promoveram sondagensque apresentaram resultados muito semelhantes. Quase metade dos espanhóisseriam favoráveis à existência de um único estado na Península e um quartodos portugueses desejariam a fusão com a Espanha. O Público dedicou três paginas ao assunto. Numa delas o correspondente deEl Pais em Lisboa, em tom que navega entre o serio e o irónico, reflectesobre a hipótese da criação de «uma nação única».O que chama a atenção nesses s textos e noutros publicados na imprensa é aleviandade da maioria dos comentários e depoimentos e o silêncio sobre duasquestões, essas sim, importantes:1. Nenhum dos autores e entrevistados manifesta curiosidade pelo súbitointeresse dos media pela problemática da integração de Portugal na Espanha.Ninguém pergunta por que se levanta de repente na comunicação social estaalgazarra tonta em torno do iberismo.2. Em nenhum dos artigos lidos encontrei qualquer referência à avassaladoracolonização económica de Portugal pela Espanha.No labirinto de argumentos invocados a favor e contra o projecto ibéricoidentifiquei um denominador comum: a conclusão de que portugueses eespanhóis se assemelham como dois irmaos. Até Miguel Bastenier, quediscorda da Ibéria única, escreveu na sua coluna de El Pais, que «não hadois países que se pareçam mais».
O MITO E A REALIDADE
Uma extensa e sinuosa fronteira separa, na aparência artificialmente,Portugal da Espanha. Mas é suficiente atravessá-la e logo, ao entrar nospueblos e nas vilas da raia, qualquer estrangeiro percebe que somos povosmarcados por profundas diferenças.A historia que nos diferenciou com lentidão - somos filhos da Galiza-principiou a cavar abismos culturais entre os dois países após a Revoluçãode 1640 que pôs termo à breve união dinástica . A partir de então, ocastelhano que, era de uso comum, inclusive na literatura, entre osportugueses instruídos, quase deixou de ser falado. Portugal voltou-se paraa França e durante três séculos o povo de Voltaire passou a ser areferência cultural.Distanciados por um século, Eça e Saramago contemplam e sentem a França e aEspanha sob perspectivas que têm muito pouco de comum.Mas é transparente que a influência de Paris como fonte de inspiração, nocaminhar do Portugal urbano, não foi substituída, ao desaparecer, por umapresença espanhola. Para a juventude, as grandes referencias são hojeanglo-saxónicas nos mais diferenciados aspectos da vida quotidiana e naadopção de valores culturais. É um facto que acultura norte-americana, sobretudo a sub cultura deexportação, marca hoje decisivamente o comportamento social da totalidadedas sociedades europeias. Os efeitos - do choque produzido não são, porem,os, mesmos, da Suécia à Itália, da França à Grécia.A Espanha, na transição do fascismo para um regime de fachada democrática,tem assimilado o pior do neoliberalismo globalizado e da chamada macworldcultura. O autóctone e o importado fundiram-se numa amalgama na qual aherança mediterrânea - sobretudo a de Roma e do Islão- cede perante aofensiva de um capitalismo cuja peculiaridade regional é de uma enormeagressividade.A burguesia portuguesa, impressionada pelas taxas de crescimento do PIB nopaís vizinho, cita com respeito o «milagre espanhol». Nem sempre o afirmaexplicitamente, mas admite que é um factor de peso a favor de uma união coma Espanha. A Espanha passou inclusive a ser um país exportador de capitais,o que suscita a sua admiração. Mas o que é, afinal, esse «milagre»?O capitalismo espanhol é hoje um dos mais predatórios do mundo. Uma revistatão insuspeita pela sua fidelidade ao neoliberalismo como a Newsweekcomparou já a actuação na América Latina das transnacionais da Espanha aoconquistador do México Hernan Cortés, responsável pela destruição dacivilização azteca.O governo de Madrid repete com orgulho que cinco séculos após a chegada deColombo ao Novo Mundo os investimentos directos espanhóis na América Latinasomente são superados pelos dos EUA. Mas por que preço para os países ondeo capital espanhol se instala?Para citar apenas os casos mais chocantes, a Repsol, a Telefónica e o BancoSantander aparecem aos olhos das forças progressistas da Argentina, doBrasil, da Bolívia, da Colômbia e do Chile, entre outros, como polvostentaculares do capital. Não apenas pela sobrexploraçao dos trabalhadores,também por surgirem envolvidos em escândalos, roubalheiras e violações dasoberania dos Estados onde desenvolvem a sua actividade.Aliás, mesmo encarado sob um angulo exclusivamente económico e financeiro,o «milagre» espanhol tem pés de barro.Na ultima década o motor do crescimento do PIB tem sido o boom daconstrução, o que segundo Le Monde e o The New York Times, anuncia temposdifíceis porque o sector imobiliário, saturado, perdeu o dinamismo e acusao efeito da subida da taxa de juros.A essa fragilidade soma-se uma grande dependência do turismo, uma fonte dereceitas extremamente instável.Os iberistas, ao esboçarem o panorama de uma Espanha pletórica de energias,exemplo de progresso e criatividade numa Europa estagnada, simulam tambémesquecer que o país exibe a mais alta taxa de desemprego dos 15 membros daUnião Europeia anterior ao alargamento.No aranzel levantado em volta das vantagens e desvantagens da integração dePortugal na Espanha não aludem sequer os participantes no abstruso debate aracismo e à xenofobia que fazem hoje da pátria de Cervantes um dos paíseseuropeus onde os imigrantes, sobretudo os magrebinos e os equatorianos ecolombianos, são mais discriminados. Não. Preferem discorrer sobre temas como a localização da capital de umaIbéria unida, a estrutura institucional do Estado - Federação ou simplestransformação de Portugal em mais uma Região Autónoma- e ,finalmente quepapel seria em tudo isso o do Rei D Juan Carlos de Bourbon .São mínimas as referências à incapacidade secular demonstrada pelo PoderCentral espanhol para conviver democraticamente com as nações hegemonizadas por Castela. Não obstante afigura-se-lhesnatural que Madrid, repressora da fome de liberdade de bascos e catalãos,possa absorver tranquilamente Portugal. Na abordagem das peculiaridades que diferenciam e aproximam portugueses eespanhóis fala-se do bacalhau, do fado, do flamenco , de marialvas esenhoritos, dos dois idiomas, mas em todo essse festim de leviandades naoidentifiquei um depoimento que tocasse mesmo ao de leve numa questao defundo: o modo de encarar a existência, o comportamento no quotidiano deportugueses e espanhóis, sejam estes castelhanos, catalãos ou bascos, poroutras palavras, a atmosfera humana,o espectáculo da vida oferecido porambos os povos.Essa omissão é definidora da inutilidade e do ridículo da ressurreição dofantasma do iberismo. Porque o desencontro de idiossincrasias ilumina bemuma realidade: longe de serem «muito parecidos», portugueses e espanhóisdistanciaram-se progressivamente, exibindo atitudes quase antagónicasperante a grande e breve aventura da vida.Vivo em Serpa, na Margem Esquerda do Guadiana. É suficiente atravessar afronteira e entrar pela Província de Badajoz ou pela de Huelva e parar emqualquer pueblo para sentir uma profunda diferença. Eles trabalham a horasdiferentes, transformam o culto do aperitivo num instrumento de convívio,comem a horas diferentes. O ruído é ali componente da vida, do conceito doslazeres. Em Madrid ou Barcelona, tão desiguais, essas diferenças na atitudeperante a vida, na forma de a percorrer e desfrutar, são ainda maisacentuadas.Não critico, registo o inocultável. Essa especificidade espanhola não acompanhou os senhores da Conquista.Na América Latina hispano-india, o fluxo do quotidiano - com a únicaexcepção do México - é balizado pela norma europeia . Come-se, trabalha-see convive-se em horários semelhantes aos dos países da União Europeia.Outra omissão em todos os textos em apreço, na imprensa de Lisboa e Madrid,é a falta de referências à colonização económica de Portugal pela Espanha.O processo em curso é avassalador. Ha três décadas a Espanha não existiapraticamente como parceiro comercial de Portugal. Hoje ocupa o primeirolugar nas importações portuguesas. Os nossos vizinhos souberam aproveitaros mecanismos da Comunidade Europeia. Mas não ocupam somente uma posiçãohegemónica no comércio. A invasão do capital espanhol é diluviana. A bancaespanhola conquistou uma parcela importante do mercado português. O mesmoocorre com a hotelaria e as grandes lojas transnacionais como El CorteInglês e Zara.As imobiliárias espanholas invadem as nossas cidades, do Minho ao Algarve. O processo de colonização pacífica, no âmbito do funcionamento do mercado,assume facetas particularmente alarmantes no Alentejo.Capitalistas espanhóis compraram já as melhores terras no perímetro doAlqueva. Adquiriram milhares de hectares, sobretudo no Distrito de Beja,para criação de porcos, instalação de lagares e plantação de oliveiras evinhas.Essa invasão do capital espanhol é obviamente festejada pelo Governo deSocrates e pela grande burguesia como muito positiva. Saúdam osinvestidores espanhóis como empresários agentes do progresso. Agradecem.Com A espontaneidade da nobreza de 1383 a saudar D João De Castela e anobreza de 1580 a alinhar com Filipe II. Essa forma de dominação económica encobre, afinal, uma modalidade deintervenção imperial.O correspondente em Lisboa de El Pais garante que «o imperialismo espanholestá definitivamente liquidado». Mas a sua peremptória afirmação apenas evidência que ou desconhece o queseja o imperialismo ou pretende dissipar no berço temores que identifica emamplos sectores do povo português.A Espanha não tem mais colónias. Nem passa pela cabeça de qualquergovernante espanhol conquistar Portugal pelas armas.Mas a actuação do capital espanhol na América Latina configura uma forma deimperialismo. Embora diferente, mais discreta, a estratégia subjacente àpolítica dos investimentos maciços em Portugal é igualmente inseparável deuma concepção imperialista das relações entre os povos.Alias, contrariamente ao que sustentam os apologistas da política deZapatero, apresentada como social democrata e progressista, ela, nofundamental caracteriza-se pela fidelidade ao neoliberalismo e peloalinhamento com o imperialismo.O presidente do Governo de Madrid comprometeu-se nas vésperas das eleiçõesque levaram o PSOE ao poder a retirar as tropas espanholas do Iraque. Essefoi um grande trunfo eleitoral.Cumpriu. Mas quase logo foram enviados para o Afeganistão forças doExercito espanhol para ali combaterem, integradas no dispositivo da Nato, ainsurreição em curso naquele pais. Ora essa é outra guerra imperialista.A Espanha é- não devemos esquece-lo- um dos países da União Europeia quenos últimos anos tem colaborado mais activamente ,através das suas forçasarmadas, com a estratégia de dominação mundial do EUA. O discurso deZapatero tenta negar essa evidência. Mas os factos negam-lhe as palavras.Podem argumentar os defensores do iberismo que Portugal também enviouforças para a Bósnia, Afeganistão e o Iraque por decisão de sucessivosgovernos. Assim aconteceu. Mas a pequena dimensão desses contingentes éesclarecedora da diversidade de atitudes dos povos de Portugal e Espanha.Sócrates é um medíocre ambicioso, profundamente reaccionário. No campointernacional as suas tomadas de posição reflectem a orientação transmitidapor Washington. Mas está consciente de que o povo português conserva viva amemória da guerra colonial desaprovou desde o início as agressões ao Iraquee ao Afeganistão, mascaradas de intervenções em defesa da liberdade e dademocracia. Daí o caracter inexpressivo da presença de militaresportugueses naqueles dois países. Nem Cavaco ousaria dizer-lhes, como o fezo Rei de Espanha em visita às suas tropas, que estão a servir a Pátria e osmais nobres ideais humanistas.Para terminar quero esclarecer que admiro muito a outra Espanha, a Espanhamestiça, nascida de culturas diferenciadas, a Espanha de Cervantes( oQuixote, lido e relido, continua a ser para mim um livro de cabeceira) e deGoya , de Dolores Ibarruri e Lister, a que se bateu contra o fascismo ehoje condena nas ruas o neoliberalismo, as guerras imperiais e a monarquiaridícula e corrupta que as aplaude .Essa Espanha, fraterna, revolucionaria, alinha, tenho a certeza, comaqueles, como eu, que apontam como farsa este alarido dos meios decomunicação social na campanha que desenterrou o espantalho do iberismo.Sou, como comunista, internacionalista. Mas aprendi nos combates da vidaque o universal mergulha as raízes no nacional.
Miguel Urbano Rodrigues "Alentejo Popular" (Beja)02-11-06
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Causa da Cidadania,
Causa de Olivença
Discutir o Iberismo, por Carlos Luna
«Voltou a estar na moda apontar uma eventual união Portugal-Espanha para resolver os grandes problemas do povo português. Tudo isto partindo de um estudo em que quase 28% dos inquiridos manifestava tal opinião, e que foi referido quase até à exaustão... esquecendo-se que no mesmo estudo quase 70% dos inquiridos acreditava ser Portugal um país viável.
Desgosta-me ver pessoas tratar destes temas de Unificação Ibérica em termos tão ligeiros e irresponsáveis. Deveria ser já tempo de se falar de assuntos polémicos com profundidade. Pessoalmente, não sou a favor duma União Ibérica. Parece-me ridículo pôr em causa uma independência de 850 anos, que nunca se teria mantido se não fosse sólida e justificada. Já é suficiente, sem discutir se terá sido o caminho correcto, a "dissolução" (relativa...) na União Europeia, onde, como Estado Soberano, temos voz igual aos outros membros. Numa União Ibérica, até essa igualdade se perderia. Todavia, penso que os que a defendem como uma solução para Portugal no quadro de uma Confederação o fazem convictos de que querem conservar uma cultura portuguesa distinta, e merecem ser respeitados, mesmo discordando da ideia!
Enfim, igualmente aqueles que, ao defender uma Unificação Ibérica, defendem o aniquilamento puro e simples de Portugal, e a sua "castelhanização", também têm o direito de o afirmar sem receio de represálias. Contudo, na minha opinião, merecem-me menos respeito. Na verdade, aniquilar um País só porque atravessa um momento de crise parece-me ilógico e revelador de falta de confiança... e mesmo de imaginação. Defender que outros vão fazer o que a nós compete fazer é muita ingenuidade.
E, já agora, porque defender a opção espanhola? Revelaria mais imaginação (e MUITO maior proveito económico) uma federação marítima ("talassocrática") com a Holanda ou com a Dinamarca, por exemplo... O facto de partilharmos uma Península com um Estado não nos obriga a unir-nos por motivos "geográficos"...assim como a Suécia e a Noruega não se unem só porque partilham a península escandinava. O facto de se dizer que "Portugal saiu da Espanha", para além de errado (Portugal "saiu" do Reino de Leão, a Espanha não existia), a nada nos obriga também. Os holandeses e os suíços saíram da Alemanha... e não me consta que se defenda a sua reunificação com a pátria original. Todos estes argumentos escondem uma profunda incapacidade de pensar assuntos sérios com profundidade e num espírito construtivo, e revelam a preguiça de pensar Portugal a partir do que ele é. Melhor, revelam a preguiça de pensar. É muito mais cómodo (e parece ser moda) desistir e dizer que não vale a pena porque não se vai chegar a lado nenhum. Presume-se que os outros serão tão incapazes como quem o proclama. Talvez o mais preocupante seja verificar que a razão principal, quando não a única, dos que defendem a União Portugal-Espanha, é de natureza económica... ou interesseira. "Se fôssemos espanhóis, ganharíamos mais, já que eles ganham mais". Esta frase aparece em quase todos os inquéritos. O erro é evidente: quase sempre ao longo da História, Portugal repetiu um erro: esperar que a riqueza viesse ter ao seu encontro. Tal sucedeu na Época da Expansão, e noutras épocas mais ou menos favoráveis. As elites preferiam viver de rendimentos, pouco arriscando em busca de novas fontes de enriquecimento...principalmente se passavam por produzir algo de novo no seu próprio país... O povo em geral ia vivendo mal, e verificava que quem prosperava era quem menos riqueza produzia... quando não lançava mão de métodos menos honestos. Ser "esperto", "desenrascar-se", era muito mais rentável do que matar-se a trabalhar. Trabalho que, aliás, era visto como algo de pouco dignificante. O trabalho não era apanágio das classes dominantes. Uma mentalidade que ainda não foi de todo ultrapassada. O que se espera, muitas vezes, de uma União Ibérica é que estrangeiros façam por nós aquilo que nós próprios não conseguimos fazer. Uma ilusão. Imaginemos Madrid a subir o nível de vida em Portugal de um momento para o outro. Como iria buscar recursos para tal? Só tirando-os a regiões espanholas, que não o iriam aceitar nunca. Não se deve esquecer também que a tendência geral seria tirar Centros de Decisão de Portugal (por exemplo, sedes de empresas) para os aproximar de Madrid. Aliás, isso já sucede.
E se hoje o Poder político de Lisboa pode tentar contrariar livremente essa dita tendência, muito mais dificilmente o faria não sendo um Poder Independente. Há quem argumente que o Poder Central em Portugal poucas decisões acertadas toma para desenvolver Portugal e o nível de vida das suas populações. Mas... porque existe uma "coisa" chamada Independência Nacional, os portugueses podem, livremente, decidir votar em políticos mais eficazes. Usando uma expressão comum, podem até "derrubar o governo". Ninguém poderá interferir.
Mas... imagine-se que Portugal não era um Estado Soberano. Em caso de descontentamento com o Poder Central... como derrubá-lo...situando-se ele fora do território nacional... e sendo compartido com outras regiões? Já se meditou seriamente sobre isso? E... como se faria caso, após uma união ibérica, os interesses portugueses chocassem com os interesses de Madrid? Proclamava-se nova separação? E como reagiriam a isso as autoridades espanholas? Não se pretende com estes exemplos dizer que se "desconfia das intenções da Espanha", ou que "a Espanha é a bruxa má desta questão". Não. O que se pretende é que se medite seriamente nos riscos que se corre ao abdicar-se de uma Soberania Plena.
As lições de 1580-1640, e as da Guerra que se seguiu, deveriam ser muito bem estudadas. Não porque a História se repita, mas porque, por vezes, os exemplos do passado nos podem ajudar a projectar o futuro com mais sabedoria. Não creio, também, que o Povo Espanhol esteja "preparado" para tal tipo de União. Infelizmente, muitos encaram-na, ainda que inconscientemente, como uma "reunificação", ou "absorção". Na verdade, 44% dos espanhóis, contra 38%, declarou num estudo recente que Espanha deveria ser o nome de um eventual Estado Ibérico Unificado. E, nesse mesmo estudo, 80% dos inquiridos do País vizinho considerou que a Capital deveria ser Madrid, só 3% opinando por Lisboa.
Parece, pois, que uma União Ibérica levaria, quase seguramente, a uma centralização, directa ou indirecta, de poderes no Centro da Península...e, com o tempo, a uma despersonalização de Portugal. O exemplo da despersonalização efectuada, e ainda existente, em Olivença, dá que pensar. Quase me atreveria a perguntar a iberistas de vários quadrantes, quando vêem Portugal enquanto província ou Estado integrado numa "Ibéria", se deveria incluir Olivença (e Táliga) dentro do seu espaço, ou se deveria continuar em espaço alheio. Em termos históricos, e para concluir (e muito mais haveria a dizer), direi que nunca um povo ou um país prosperaram abdicando da sua existência. Nenhum estrangeiro (Espanhol, Francês, Alemão) nos virá "ajudar" sem pedir nada em troca. E sem ter tendência a monopolizar os cargos superiores e mais bem pagos... Terça, 31 de Outubro de 2006 - 13:07»
Carlos Luna carlosluna@iol.pt
quarta-feira, novembro 01, 2006
OLIVENÇA - Não é prioridade.... mas é símbolo!
Gravura de Bravo da Mata (1988)Olivença back to Portugal
Olivenza is a Portuguese territory illegaly occupied by Spain. Portugal does not recognize the Spanish sovereignty over the Olivenza territory. Therefore, the border between these two countries in the Olivenza region has never been defined– in the delimitation of the border between the two Iberian states 100 landmarks have not yet been placed. The rights of sovereignty that Portugal possesses over Olivenza are unarguable and no expert in International Law can question it.
The Portuguese Constitution, in Article 5, number 3, makes it impossible for that territory to be given to Spain. Thus the only solution to this peninsular litigation lies in the fulfilment of the Vienna Treaty of 1815, whereby Spain pledged to return Olivenza to Portugal, which has not
happened so far.
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(Created by Sam Gomes)
To see: www.olivenca.org
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