quinta-feira, janeiro 11, 2007

Belgais era uma escola, um centro de investigação musical, um auditório para que músicos realmente importantes se encontrem, trabalhem e produzam música, que é um bem inestimável num país ignorante em matéria musical. Não se trata de «um espaço» inútil: ali, aprendia-se música, conservavam-se partituras, e ensinava-se. Maria João Pires não precisava de Belgais nem da burocracia ou das promessas portuguesas, podia viver onde lhe apetecesse, mas achou que podia fixar-se em Castelo Branco e que poderia investir parte do que é seu numa obra daquela importância. O protesto de Maria João Pires não é contra o Estado nem contra o governo apenas. É contra o país -- e isso compreende-se muito bem. O país do Euro 2004 e dos «desfiles de moda» subsidiados pelo Estado e pelas câmaras municipais, o das empresas que não cumprem as promessas, o dos ricos que ignoram a existência da responsabilidade social do dinheiro. Maria João Pires é um nome português de que nos devemos orgulhar: pelo seu talento, pelo seu piano, e por Belgais. Milhares (repito: milhares) de idiotas e de pseudo-talentos viveram, na cultura, à conta do Estado. O génio de Maria João Pires não precisava de ser provado.
Em Março de 2006, Maria João Pires, de 62 anos, sofreu um enfarte do miocárdio quando se encontrava a descansar em Salamanca. Operada em Espanha, teve de adiar por dois meses a digressão europeia. Em Julho foi instalar-se definitivamente no Brasil e desistiu do Centro para o Estudo das Artes de Belgais, próximo de Castelo Branco, a quinta que comprou há oito anos. "Estava a ser vítima de uma verdadeira tortura". "Parto para me salvar um pouco dos malefícios que Portugal me estava a fazer". "Sofri fisicamente todos aqueles anos em que me dediquei ao projecto e tentei fazer tudo, e não consegui... no fundo, não consegui mais do que um começo", lamentou. Qual o episódio seguinte?
Império à Deriva, por Luís Aguiar Santos

Sugestão de leitura: o livro de Patrick Wilcken, Império à Deriva (tradução de Empire Adrift: the Portuguese Court in Rio de Janeiro, 1808-1821.É boa historiografia recente, bem informada e bem escrita. Com a vantagem de não poder ser acusada de alinhamentos e simpatias domésticas. Deste livro, que está à venda em todas as grandes livrarias portuguesas (e cuja leitura, graças a CAA, acabei apressando), ressaltam algumas coisas: que os membros da corte portuguesa tinham pouco a ver com o retrato pouco lisonjeiro em que CAA se compraz; que não se pode ter uma leitura acrítica de uma "fonte" como as memórias da "condessa" de Abrantes (mulher de Junot) quando há outras muito mais credíveis que a contradizem; que D. João VI hesitou muito menos do que é comum dizer-se e que sabia bem o queria (nomeadamente, poupar o País à invasão napoleónica, mesmo recusando os "conselhos" ingleses, e que, quando isso se revelou impossível, soube fazer uma das maiores retiradas estratégicas da História, que este livro justamente retrata enquanto tal). Da obra de Wilcken, ressalta ainda outra coisa, que Manuel de Oliveira Lima já dissera há quase cem anos: que o Brasil ter-se tornado uma nação foi obra de D. João VI. Coisa pouca para um rei "inepto" (CAA dixit). Poderíamos acrescentar, já fora do âmbito deste livro, que foram também as opções delineadas por D. João VI (e que D. Pedro IV plenamente assumiu e transmitiu a D. Maria II) que deram forma ao constitucionalismo liberal que em Portugal se impôs depois dos devaneios jacobinos do vintismo e que nos legou alguma tradição de liberdade civil e política antes do advento do autoritarismo no século XX, esse já obra da República tão cara aos detractores de D. João VI.
CAA, no Blasfémias, voltou a usar a figura de D. João VI para atacar o presidente Sampaio. Esse ataque não interessa agora aqui. O que motiva este post é o enésimo achincalhamento da figura do rei por CAA, que, respondendo a um comentário que deixei ao seu post, fala ironicamente da minha "sabedoria" sobre o monarca, pressupondo nas entrelinhas a sua. Em auxílio da sua iluminada informação sobre os genes, o carácter e a trajectória política de D. João VI, CAA esgrime contra a "historiografia revisionista" (!), que obviamente leu e que estaria ardilosamente a reabilitar a figura de D. João VI. Sabe-se lá, CAA, com que maquiavélicos propósitos! O que aqui lhe deixo é uma sugestão: procure informar-se melhor, mesmo sem recorrer aos recentes e perigosos historiadores "revisionistas". Pode começar pelo livro do grande historiador brasileiro Oliveira Lima (na imagem), "D. JOÃO VI NO BRASIL", escrito em 1909 (ai este revisionismo quase centenário!). Sobre o rei e imperador, que em qualquer outro pais europeu seria celebrado como um grande estadista, aqui fica um trecho, de outra obra de Oliveira Lima ("Formação Histórica da Nacionalidade Brasileira"):"(...) a suposta fuga de D. João VI nos surge então com feições mais dignas e apresenta um sentido inteiramente diferente da vulgaridade do temor, sentido que em nosso país a opinião pública, consciente em certos casos, instintiva na maior parte deles, não se demorou em ter percebido, a ponto de não hesitar nunca em fazer justiça ao monarca, que teve o mérito de ser denominado, na república, fundador da nacionalidade brasileira. Essa simpatia colectiva, impulsiva e sincera, não foi afinal senão o equivalente da simpatia individual, indubitável e calorosa, de que ele deu provas, em todas as oportunidades, pela sua pátria adoptiva. (...) D. João VI era o homem absolutamente necessário ao meio e ao momento histórico do Brasil, para levar a cabo a pesada tarefa de fazer dele uma nação."
Boorstin sobre os Portugueses

"Nada me agradaria mais do que ver aparecer The Discoverers em português – a língua de Camões e dos pioneiros dos descobrimentos do Ocidente. É também espantosamente apropriado que este pequeno símbolo de agradecimento e reconhecimento possa ser mandado do Novo Mundo, que teria sido com certeza um lugar muito diferente e muito menos interessante se não tivesse sido a imaginação, a coragem e o espírito de aventura dos Portugueses na época dos descobrimentos. Os descobridores portugueses ainda não tiveram o reconhecimento e as celebrações que merecem no Ocidente de língua inglesa. (…) Os louros para as grandes obras de descoberta só podem ser ganhos pela posteridade. O povo português e a língua portuguesa desempenham um papel singular e eloquente no acender do espírito de descoberta pelo Mundo. Espero que este livro sirva para encorajar os leitores e os escritores portugueses e manter vivo esse espírito e, assim, recordar-nos de como todos ganhámos com essas aventuras."
Daniel J. Boorstin, Washington D. C., 1987, prefácio do livro “Os Descobridores”, Gradiva.
Daniel J. Boorstin, Washington D. C., 1987, prefácio do livro “Os Descobridores”, Gradiva.
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Causa da Humanidade,
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quarta-feira, janeiro 10, 2007
Um Projeto para os Oceanos no Século 21
Em 2004, uma comissão criada pelo Congresso dos EUA trabalhou na elaboração de um projeto para uma nova política oceânica abrangente e sustentável, dirigida por James D. Watkins, Presidente da Comissão de Política Oceânica dos EUA, almirante aposentado da Marinha dos EUA, ex-chefe de operações navais no governo do presidente Ronald Reagan, ex-secretário de Energia no governo do presidente George H.W. Bush e fundador do Consórcio para Educação e Pesquisa Oceanográficas.
O Relatório americano é uma das fontes principais do Relatório da Comissão Estratégica dos Oceanos apresentado ao então Primeiro-Ministro, em 19 de Novembro de 2004
A home page da Comissão com o relatório Um Projeto para os Oceanos no Século 21 encontra-se no site: http://www.oceancommission.gov.
O Relatório americano é uma das fontes principais do Relatório da Comissão Estratégica dos Oceanos apresentado ao então Primeiro-Ministro, em 19 de Novembro de 2004
A home page da Comissão com o relatório Um Projeto para os Oceanos no Século 21 encontra-se no site: http://www.oceancommission.gov.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Segue a segunda das acções estratégicas da Estratégia Nacional para o Mar, para comentário e elaboração aqui no blog e em próxima reunião das "Causas".
b) (...) é necessário fomentar a divulgação nas escolas das actividades ligadas ao mar, promovendo a difusão do tema «mar» em todos os níveis de ensino, os desportos náuticos como componentes do desporto escolar, o envolvimento dos estudantes dos ensinos básico e secundário em actividades e profissões ligadas ao mar e cursos profissionalizantes e superiores
nestas áreas;
Seguir o assunto no Luís Miguel Correia - BLOGUE dos NAVIOS e do MAR - SHIPS & THE SEA
segunda-feira, janeiro 08, 2007
LUX TUA NOS DUCAT

EXCELENTES artigos e fotografias de Luís Miguel Correia no blogue Estratégia Azul, de que destacamos os seguintes, começando por dedicar o primeiro à menina Garina do Mar:
À consideração dos meus caros co-autores a integração do blogue Estratégia Azul no presente. Até para dar o arranque à discussão em boa hora iniciada por MCH no post anterior.

(O "Funchal" por Luis Miguel Correia)
Das oito acções estratégicas constantes da Estratégia Nacional para o Mar, aprovada
como Resolução do Conselho de Ministros n.o 163/2006. em 16 de Novembro de 2006. aqui se deixa a primeira, para comentário e elaboração dos membros.
(...) a) Sensibilizar e mobilizar a sociedade para a importância
do mar. Uma das principais dificuldades associadas
à implementação de uma estratégia nacional para
o mar é a sua falta de visibilidade na sociedade portuguesa.
Sendo certo que as glórias do passado estão
bem presentes na nossa cultura, a verdade é que poucos
cidadãos olham para o mar como uma oportunidade
de modo de vida ou de investimento e negócio. Para
alcançar este objectivo é necessário apostar em medidas
de médio e longo prazos que permitam consubstanciar
uma mobilização crescente da sociedade para a importância
do mar como factor de desenvolvimento do País,
bem como dinamizar acções de grande impacte imediato,
de forma continuada, que acelerem a aproximação
dos Portugueses ao mar. Sem esta mobilização que torne
a aposta no mar num projecto nacional, dificilmente
esta Estratégia
sexta-feira, janeiro 05, 2007
PETIÇÃO PARA TORNAR OFICIAL O IDIOMA PORTUGUÊS NAS NAÇÕES UNIDAS

http://www.petitiononline.com/AB5555/petition.html
Considerando que mais de 250 milhões de pessoas se expressam no idioma português, com importante presença sócio-cultural e geopolítica em várias nações de todos os continentes, sendo a 5a mais falada no mundo (em números absolutos), a 3a entre as consideradas línguas universais de cultura e uma das 4 faladas nos seis continentes;
Considerando que a iniciativa de tornar oficial o idioma português na ONU estará, por justiça e méritos, prestando um histórico serviço aos países de língua portuguesa, que constituem uma comunidade presente e atuante em todos os Continentes, com expressivo contingente populacional, incluindo: Brasil, com 180 milhões de habitantes, uma das dez maiores economias do mundo, líder natural do MERCOSUL; Portugal, com 10 milhões; Angola, com 11 milhões; Moçambique, com 17 milhões; Cabo Verde, com 417 mil habitantes; Guiné Bissau, com 1 milhão; São Tomé e Príncipe, com 130 mil e Timor-Leste, com 175 mil (estimativas recentes), que somam variados costumes, crenças, raças, tendências políticas e que têm a lusofonia como forte laço de identidade cultural e cooperação;
AVISO - A PETICAO ENCONTRA-SE EM FASE DE COMPILACAO DAS ASSINATURAS AFIM DE SER PREPARADA A ENTREGA - PARA NOTICIAS VISITE http://portaldalusofonia.blogspot.com
O verdadeiro crime e mistério do porte não pago...
CARTA DO CANADÁ
Fernanda Leitão
BOA POUPANÇA, MÁ POUPANÇA
Quando o primeiro ministro decide reformas de fundo e apela à sensata contenção de despesas, públicas e privadas, a maioria da população concorda. Só assim se pode compreender que, apesar da gritaria de uma oposição inábil e desorientada, de uma comunicação social dita de referência que parece falha de coragem, apesar disso, dizia, as sondagens dão um amplo apoio popular ao governo. Finalmente, a maioria da população compreendeu que as reformas só pecam por tardias e que o atraso com que vêm (de uns bons 20 anos), se fica a dever a políticos que mais se importaram em ganhar eleições, para manterem cargos e mordomias inerentes, do que com a regeneração do país. Dito de outra maneira: o atraso na enunciação e implementação destas reformas (hoje urgentíssimas) tem de ser posto na conta da partidocracia, desdenfreada e sem escrúpulos, que tem sido o ganha-pão nutrido dos barões da política e dos sindicatos.
Quando de vários quadrantes oficiais, incluindo o honestíssimo Silva Lopes e o perseverante Medina Carreira, aconselham um regresso à poupança, todos temos de concordar que é mais do que tempo para os portugueses deixarem de viver muito acima das suas possibilidades, com recurso a um endividamento que toma proporções dramáticas. Na verdade, é mais do que tempo para os portugueses perceberem que a União Europeia (UE) não é a Santa Casa da Misericórdia. Os portugueses têm de voltar ao seu natural: qualidades de trabalho, afincado esforço, brio e frugalidade, que garantam mais o Ser do que o Ter. Não pode continuar a bandalheira de se julgarem no direito de tudo exigir e de nada produzir.
Este apelo à popoupança é comum em muitos países ricos. É o caso do Canadá. Todos temos por aqui sido solicitados a não esbanjar energia eléctrica e água, a fazermos reciclagem de tudo e mais alguma coisa. O Canadá é o país com maior reserva de água potável no mundo, além de contar com substanciais jazidas petrolíferas, de gás natural e de carvão, para além de possuir reactores nucleares fornecendo electricidade. Mas sendo um país generoso e respeitador dos direitos das pessoas, exige que a sua população não comprometa o futuro dos que vêm depois de nós. É tão claro e simples como isto.
O governo de Sócrates está no caminho certo quando preconiza, e realiza, poupanças que, para além do mais, são pedagógicas.
É por isso que, usando a liberdade democrática, me permito condenar a má poupança sobre os portes pagos da imprensa regional. Essa é uma poupança que vai trazer grandes prejuízos a Portugal. Eu explico porquê.
Fora do país residem cerca de 5 milhões de portugueses. A única informação que, de facto, atinge, eu diria ensopa, repassa, o português emigrado, é o jornal da sua terra. Porque é ele quem lhe traz notícia de pessoas e lugares que conhece, que defende interesses que também são seus, que recorda costumes e usos com os quais se fez gente, que proclama o exercício de valores morais e sociais com os quais o seu carácter foi moldado. Nem a RTP-Internacional, nem a Radiodifusão Nacional, penetram de forma tão profunda, apesar de serem de boa qualidade. Digamos que são um complemento ao aconchego dado ao emigrante pelo jornal regional. Tanto assim é que, desde há muitos anos, a imprensa regional tem um universo de 4 a 5 milhões de leitores, números que nunca a imprensa de âmbito nacional, e até mesmo a desportiva, se gabaram de realizar.
É provável que alguma imprensa regional se tenha desleixado na qualidade ou mesmo dado guarida a acções pouco sérias, mas isso não admite generalizações. Vivendo Portugal em regime democrático, o diálogo é a sua obrigatória pedra de toque. Assim, seria pelo diálogo que se promoveriam fusões de empresas, venda de outras para mãos mais competentes, a reciclagem dos seus dirigentes e funcionários. Condená-la à morte devido ao pagamento de portes de correio, é injusto, é insultuoso, é pouco inteligente.
Injusto e insultuoso, porque os emigrantes não merecem esta acção governamental – tanto mais que, apesar de todos os pesares, continuam a mandar para Portugal 6,7 milhões de dólares POR DIA. Porque, apesar de enganados por secretários de estado e deputados que andaram cá por fora a reinar durante 20 anos sem nada fazerem de positivo, a não ser para os compadres e afilhados, apesar de tudo isso os emigrantes levantam alto o nome de Portugal, sacrificam tempo e dinheiro a manterem as tradições trazidas da Pátria, aguentam escolas privadas apenas por amor à Língua Portuguesa e não porque recebam de Lisboa ajuda ou incentivo. Apesar de as suas poupanças engordarem a egoísta banca portuguesa, essa dos lucros escandalosos, essa que nunca se deu ao trabalho de listar negócios e investimentos, incluindo acções na bolsa, que dariam maior rendimento ao emigrante e, ao mesmo tempo, fortaleceriam o nosso país com dinheiro de nacionais, com o que se teriam evitado lamentáveis cedências ao estrangeiro.
Este corte dos portes pagos traz consigo uma carga negativa incomensurável: representa o mais aboluto desprezo pelos emigrantes e, ainda por cima, é pouco inteligente porque não é com essa poupança que Portugal tira o pé da lama em que está atolado após 32 anos de loucura e inépcia. Penso que o governo foi mal informado, foi induzido em erro, até me fazerem prova do contrário. A ignorância do que se passa na emigração não abona em favor de quem governa em Portugal. E obriga os portugueses residentes no estrangeiro a baterem com a porta, como fizeram no tempo de Salazar. É que, como se tudo isto fosse pouco, até as férias nas Caraíbas e na América do Sul são bem mais baratas e repousantes do que as passadas em Portugal. Quanto mais o resto...
Senhor Governo: veja se emenda a mão. Há mais coragem e nobreza em reconhecer um erro do que permanecer nele.
Fernanda Leitão
BOA POUPANÇA, MÁ POUPANÇA
Quando o primeiro ministro decide reformas de fundo e apela à sensata contenção de despesas, públicas e privadas, a maioria da população concorda. Só assim se pode compreender que, apesar da gritaria de uma oposição inábil e desorientada, de uma comunicação social dita de referência que parece falha de coragem, apesar disso, dizia, as sondagens dão um amplo apoio popular ao governo. Finalmente, a maioria da população compreendeu que as reformas só pecam por tardias e que o atraso com que vêm (de uns bons 20 anos), se fica a dever a políticos que mais se importaram em ganhar eleições, para manterem cargos e mordomias inerentes, do que com a regeneração do país. Dito de outra maneira: o atraso na enunciação e implementação destas reformas (hoje urgentíssimas) tem de ser posto na conta da partidocracia, desdenfreada e sem escrúpulos, que tem sido o ganha-pão nutrido dos barões da política e dos sindicatos.
Quando de vários quadrantes oficiais, incluindo o honestíssimo Silva Lopes e o perseverante Medina Carreira, aconselham um regresso à poupança, todos temos de concordar que é mais do que tempo para os portugueses deixarem de viver muito acima das suas possibilidades, com recurso a um endividamento que toma proporções dramáticas. Na verdade, é mais do que tempo para os portugueses perceberem que a União Europeia (UE) não é a Santa Casa da Misericórdia. Os portugueses têm de voltar ao seu natural: qualidades de trabalho, afincado esforço, brio e frugalidade, que garantam mais o Ser do que o Ter. Não pode continuar a bandalheira de se julgarem no direito de tudo exigir e de nada produzir.
Este apelo à popoupança é comum em muitos países ricos. É o caso do Canadá. Todos temos por aqui sido solicitados a não esbanjar energia eléctrica e água, a fazermos reciclagem de tudo e mais alguma coisa. O Canadá é o país com maior reserva de água potável no mundo, além de contar com substanciais jazidas petrolíferas, de gás natural e de carvão, para além de possuir reactores nucleares fornecendo electricidade. Mas sendo um país generoso e respeitador dos direitos das pessoas, exige que a sua população não comprometa o futuro dos que vêm depois de nós. É tão claro e simples como isto.
O governo de Sócrates está no caminho certo quando preconiza, e realiza, poupanças que, para além do mais, são pedagógicas.
É por isso que, usando a liberdade democrática, me permito condenar a má poupança sobre os portes pagos da imprensa regional. Essa é uma poupança que vai trazer grandes prejuízos a Portugal. Eu explico porquê.
Fora do país residem cerca de 5 milhões de portugueses. A única informação que, de facto, atinge, eu diria ensopa, repassa, o português emigrado, é o jornal da sua terra. Porque é ele quem lhe traz notícia de pessoas e lugares que conhece, que defende interesses que também são seus, que recorda costumes e usos com os quais se fez gente, que proclama o exercício de valores morais e sociais com os quais o seu carácter foi moldado. Nem a RTP-Internacional, nem a Radiodifusão Nacional, penetram de forma tão profunda, apesar de serem de boa qualidade. Digamos que são um complemento ao aconchego dado ao emigrante pelo jornal regional. Tanto assim é que, desde há muitos anos, a imprensa regional tem um universo de 4 a 5 milhões de leitores, números que nunca a imprensa de âmbito nacional, e até mesmo a desportiva, se gabaram de realizar.
É provável que alguma imprensa regional se tenha desleixado na qualidade ou mesmo dado guarida a acções pouco sérias, mas isso não admite generalizações. Vivendo Portugal em regime democrático, o diálogo é a sua obrigatória pedra de toque. Assim, seria pelo diálogo que se promoveriam fusões de empresas, venda de outras para mãos mais competentes, a reciclagem dos seus dirigentes e funcionários. Condená-la à morte devido ao pagamento de portes de correio, é injusto, é insultuoso, é pouco inteligente.
Injusto e insultuoso, porque os emigrantes não merecem esta acção governamental – tanto mais que, apesar de todos os pesares, continuam a mandar para Portugal 6,7 milhões de dólares POR DIA. Porque, apesar de enganados por secretários de estado e deputados que andaram cá por fora a reinar durante 20 anos sem nada fazerem de positivo, a não ser para os compadres e afilhados, apesar de tudo isso os emigrantes levantam alto o nome de Portugal, sacrificam tempo e dinheiro a manterem as tradições trazidas da Pátria, aguentam escolas privadas apenas por amor à Língua Portuguesa e não porque recebam de Lisboa ajuda ou incentivo. Apesar de as suas poupanças engordarem a egoísta banca portuguesa, essa dos lucros escandalosos, essa que nunca se deu ao trabalho de listar negócios e investimentos, incluindo acções na bolsa, que dariam maior rendimento ao emigrante e, ao mesmo tempo, fortaleceriam o nosso país com dinheiro de nacionais, com o que se teriam evitado lamentáveis cedências ao estrangeiro.
Este corte dos portes pagos traz consigo uma carga negativa incomensurável: representa o mais aboluto desprezo pelos emigrantes e, ainda por cima, é pouco inteligente porque não é com essa poupança que Portugal tira o pé da lama em que está atolado após 32 anos de loucura e inépcia. Penso que o governo foi mal informado, foi induzido em erro, até me fazerem prova do contrário. A ignorância do que se passa na emigração não abona em favor de quem governa em Portugal. E obriga os portugueses residentes no estrangeiro a baterem com a porta, como fizeram no tempo de Salazar. É que, como se tudo isto fosse pouco, até as férias nas Caraíbas e na América do Sul são bem mais baratas e repousantes do que as passadas em Portugal. Quanto mais o resto...
Senhor Governo: veja se emenda a mão. Há mais coragem e nobreza em reconhecer um erro do que permanecer nele.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Sodade
SODADE
Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Quem mostra'bo
Ess caminho longe?
Ess caminho
Pa Sao Tomé
Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau
Si bô 'screvê' me
'M ta 'screvê be
Si bô 'squecê me
'M ta ' [Original] SODADE
Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Quem mostra'bo
Ess caminho longe?
Ess caminho
Pa Sao Tomé
Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau
Si bô 'screvê' me
'M ta 'screvê be
Si bô 'squecê me
'M ta 'squecê be
Até dia
Qui bô voltà
Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau
Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Quem mostra'bo
Ess caminho longe?
Ess caminho
Pa Sao Tomé
Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau
Si bô 'screvê' me
'M ta 'screvê be
Si bô 'squecê me
'M ta ' [Original] SODADE
Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Quem mostra'bo
Ess caminho longe?
Ess caminho
Pa Sao Tomé
Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau
Si bô 'screvê' me
'M ta 'screvê be
Si bô 'squecê me
'M ta 'squecê be
Até dia
Qui bô voltà
Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau
D. Luís Marinheiro, no Milhas Náuticas

Saudando o Milhas NAuticas, repruoduz-se o post pela Causa do MAr.
Já que se fala de reis e do amor que tiveram pelo mar, vale também a pena lembrar aqui o “Rei Marinheiro”, D. Luiz I, por acaso o pai de D. Carlos (o amor pelo mar tinha que lhe vir de algum lado). D. Luiz foi por sua mãe, D. Maria II, consagrado ao mar - “do mar proviera o maior esplendor de glória que dourara as armas de Portugal” - e desde os 8 anos segue carreira na Marinha, dedicando-se aos assuntos marítimos com fervor. Percorre todos os passos até chegar a capitão de mar e guerra, quando ao fim de 15 anos no mar, estando ao comando da corveta Bartolomeu Dias, recebe a notícia que terá que abandonar o mar onde desejaria continuar a viver, para assumir o comando de outra nau bem mais difícil de governar: Portugal. * * *
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Mulheres em Acção! Tinham que ser do Norte, carago!

Está preparado para decidir como votar?
Sabe o que está em causa neste referendo?
Conhece a pergunta e as todas as questões que ela coloca?
A Associação Mulheres em Acção está disponível para dar o seu contributo, visando a clarificação das dúvidas sobre o que está em causa neste referendo, em debates ou sessões de esclarecimento a promover com todas a instituições ou grupos de cidadãos interessados.
Procure informação. Decida com convicção.
Ligue para: 226007130 / 969298781
Fax: 226094027
www.mulheresemaccao.org
www.portinaoaborto.com
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Atarturk e Portugal
Atarturk descende de judeus portugueses? Por Inacio Steinhardt
Veja no DUAS CIDADES
Veja no DUAS CIDADES
Foi publicada hoje a Lei n.º 53-A/2006, que aprova o Orçamento do Estado para 2007, visualizável AQUI. Contém disposições importantes para a Causa da Poupança e para a Causa da Solidariedade (através de incentivos à Poupança e ao Mecenato). Destaco o aditamento, ao Estatuto dos Benefícios Fiscais, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 215/89, de 1 de Julho, de um novo capítulo X, sob a epígrafe «Benefícios relativos ao mecenato», que integra os artigos 56.º-C, 56.º-D, 56.º-E, 56.º-F, 56.º-G e 56.º-H, igualmente aditados, com a redacção em comentário a este post.
CONSELHO: Prepare o seu Orçamento pessoal para 2007, para não ser apanhado desprevenido. Evite situações de endividamento e lembre-se que o pior está para vir. Cancele os seus cartões de crédito e tente manter aberta apenas uma conta bancária e em apenas uma instituição de crédito.
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quinta-feira, dezembro 28, 2006
A Tasquinha recomendada

«Acordo Ortográfico faz 16 anos sem entrar em vigor! Segunda-feira, Dezembro 18, 2006
O Acordo Ortográfico foi assinado no meio de controvérsia faz hoje 16 anos, com o objectivo de unificar a escrita da língua portuguesa, mas ainda não entrou em vigor e não se sabe quando entrará O texto assinado a 16 de Dezembro de 1990, com vozes do meio académico a contestarem o acordo, foi publicado em Diário da República em Agosto de 1991 com a resolução do Parlamento que o aprovou para ratificação.» ( in Tasquinha )
Vão lá tasquinhar e comentem!
E O ENDIVIDAMENTO A SUBIR...

A propósito da notícia publicada hoje no Correio da Manhã, «Prestação aumenta 319 euros», recordei-me de (afinal não tão) velhas «guerras», em que defendíamos que era preferível recuperar em vez de construir, para arrendar em vez de comprar. E de que existe TANTA CASA SEM GENTE e TANTA GENTE SEM CASA. Passo a transcrever a notícia:
«A prestação mensal do crédito à habitação de 150 mil euros, a amortizar em 25 anos, era de 704,13 euros em Dezembro do ano passado, quando a taxa euribor a seis meses estava em 2,639 por cento. Essa prestação totaliza 1023 euros desde ontem, quando a taxa euribor a seis meses, a mais utilizada nos contratos de empréstimo para compra de casa, se fixou em 3,835 por cento. Ou seja: aumento de 319 euros.
As referidas verbas têm por base as simulações da DECO PROTESTE, que, na revista ‘Dinheiro & Direitos’, publicou estudos sobre o impacto do aumento das taxas de juro no crédito à habitação. Desde Dezembro de 2005 a euribor a seis meses progrediu 45,3 por cento. Recorde-se que no primeiro trimestre deste ano, quando o Banco Central Europeu já havia iniciado o ciclo ascendente da taxa de juro directora da Eurolândia, um especialista da DECO PROTESTE aconselhou a celebração de contratos de empréstimo para compra de casa indexados à taxa de juro euribor a um ano, a qual se fixou ontem em 4,003 por cento. Não que este prazo signifique menor custo, mas permite melhor planeamento a quem já está muito endividado.
Prevê-se que a taxa de juro euribor mantenha a tendência de aumento no próximo ano, de acordo com vários economistas. O INE – Instituto Nacional de Estatística disse ontem que “a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação se fixou, no mês passado, em 4,567 por cento, o que representa uma subida de 0,11 pontos percentuais relativamente a Outubro último”. Com a euribor a subir, os portugueses com crédito à habitação irão sofrer novos aumentos da prestação mensal a pagar ao banco. E nem o arredondamento à milésima alivia o encargo dos consumidores.
RESIDÊNCIAS - O total de crédito bancário concedido para a aquisição de residências totalizava 90,976 mil milhões de euros no mês passado. Comparando com Dezembro de 2005, o crescimento foi de 14,815 por cento.
CONSUMO - As instituições bancárias emprestaram um total de 23,143 mil milhões de euros no mês passado no âmbito do crédito ao consumo. Relativamente a Dezembro de 2005, o aumento foi de 12,54 por cento.
DÍVIDA - A média do capital em dívida, no total dos contratos de crédito habitacional, foi de 50 074 euros por contrato no mês passado. Em comparação com o mês anterior, houve uma subida de 202 euros, segundo o INE.»
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