A PONTE DO BARREIRO E A NAVEGAÇÃO DOS GRANDES NAVIOS NO TEJO
Promovido pelas suas Secções de Transportes e de Ordenamento do Território. realizou-se ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, um encontro em que a Secretária de Estado dos Transportes Eng. Ana Vitorino e o Eng. Arménio Matias, fundador e antigo Presidente da ADFER, debateram a problemática da travessia do Tejo pelos comboios TGV, por uma ponte das Olaias ao Barreiro, ou por um tunel na direcção do Montijo.
Deste debate, que terá de ser continuado num âmbito mais vasto, que inclua a problemática de toda a rede ferroviária e a localização do novo aeroporto de Lisboa, e das intervenções que se seguiram, retenho, neste momento, a importante chamada de atenção do Comandante Joaquim Ferreira da Silva para o facto da ponte para o Barreiro dificultar extraordinariamente, e nalguns casos impedir, a atracagem de grandes navios no cais de Alcântara, fundamental para o Turismo em Lisboa.
Com efeito, estes navios, quando atracam neste cais, ou quando dele partem para sair do Tejo, para inverterem o sentido da marcha, dão uma volta por um trajecto que fica inviabilizado com a ponte prevista para o Barreiro. Este facto, sobre o qual devem ser ouvidos os pilotos da barra, não terá sido considerado nos estudos até agora feitos, em que parece só ter sido prevista a influência da ponte sobre a navegação ribeirinha entre as duas margens do Tejo. A possibilidade de fundear grandes navios no Tejo fica, também, muito diminuida.
Foi também chamada a atenção para o facto da ponte prevista para o Barreiro prejudicar significativamente a utilização do Aeroporto do Montijo e inviabilizar a eventual futura utilização do estuário do Tejo para a amaragem de hidroaviões, que poderão de novo vir a ser utilizados.
Texto do Prof. António Brotas, Físico e Catedrático do IST, e ex-secretário de Estado da Educação Superior
7 de Março de 2007