terça-feira, janeiro 16, 2007

José Eduardo Franco no 2º Encontro Debate do Blog das Causas


Teve ontem lugar em Lisboa o 2º Encontro do Blog de Causas. Nesta edição tivemos o previlégio de ter como orador o Prof. Doutor José Eduardo Franco, com uma intervenção dedicada ao tema "Os Mitos Fundadores de Portugal". José Eduardo Franco é autor de uma longa lista de publicações, sendo a mais recente "O Mito dos Jesuitas - Vol. I". Aqui fica um brevíssimo resumo daquilo que foi a sua intervenção.

Foi abordado como tema central a vida do Pe. Fernando Oliveira (ou Fernão de Oliveira), um dominicano que viveu no séc. XVI e da sua visão daquilo que foi a fundação de Portugal. Fernando Oliveira destacou-se como grande Homem do Renascimento, um humanista, sendo ele autor de variadíssimas obras cobrindo temáticas diversas como a Náutica (Ars Nautica), a Gramática (Grammatica da Lingoagem Portuguesa) ou a História (História de Portugal e Livro da Antiguidade, Nobreza, Liberdade e Imunidade do Reino de Portugal). No penúltimo caso, trata-se mesmo da primeira "História de Portugal" de que há registo, afastando-se das Crónicas, e tentando relatar os eventos históricos que imprimiram a Portugal a sua Identidade, desde tempos bíblicos até aos seus dias.

A "História de Portugal" (documento que José Eduardo Franco consultou na Biblioteca Nacional de Paris) surge imediatamente após o desastre de Alcácer Quibir, exprimindo e exaltando aquilo que eram as raisons d'être de Portugal, sendo assim uma tentativa de justificar o direito de Portugal a existir como Pátria independente. Segundo Oliveira, terá sido Tubal, neto de Noé, que teria sido enviado para o Ocidente, aportando na "ocidental praia" a que hoje se dá o nome de "Setúbal". Dado que, de acordo com o Antigo Testamento, teria sido no monte Ararat, na Arménia, o local onde assentou a Arca, teria sido Portugal, através deste descendente de Noé, palco de um povoamento por parte de Arménios (aliás, facto que segundo vários autores, é confirmado por diversos exemplos de toponímia). Fernando Oliveira estabelecia assim a fundação de Portugal "sacralizada" por um personagem bíblico, atribuíndo a D. Afonso Henriques o papel de Restaurador do Reino de Portugal e não o de seu Fundador.

Numa nota final, Fernando Oliveira foi magistral na critíca dos seus oponentes, sendo a sua grande arma o humor. "Depois de referir que Plínio que fala de Bardúlia, nome antigo dado ao espaço territorial ocupado por Castela, Fernando Oliveira chama “bárdulos” a homens precipitados e irreflectidos e “bardularia” ao comportamento feito de aldrabice e mentira."*

A intervenção de José Eduardo Franco neste nosso encontro, riquíssima em pormenores históricos, pode ser aprofundada através do seu livro "O Mito de Portugal" (ver capa).

Convidamos os nossos leitores a estarem atentos, visto que contamos em breve poder divulgar online, na íntegra e em formato de som, o conteúdo das intervenções futuras dos oradores convidados.



* - Luís Machado de Abreu no prefácio à obra O Mito de Portugal.
* * * * *
Adenda: Vide o link para o termo Bardúlia da Wikipedia Espanhola!... Sailor Girl

10 comentários:

mch disse...

Gostei muitíssimo deste resumo. E como o José Eduardo franco, explicou,"ervilhaça" é o outro termo do GRANDE Fernando Oliveira para designar a BArdúlia/ Bardália a designar "nuestros hermanos" que só se chamam "castela" desde o séc. IX

Sailor Girl disse...

EXCELENTE ARTIGO, LEONARDO!

MCH e eu estávamos exactamente a consultar o termo BARDÚLIA na Wikipedia/es! E a confirmar que, de facto, como disse o nosso ilustre orador de ontem, «As palavras transportam a memória da história».

Fernão de Oliveira foi assim um dos Maiores Portugueses de Sempre! E era de Pedrógão Grande, terra Natal de grandes Homens e Mulheres.

Agora... há que alertar os organismos oficiais competentes em razão da matéria (Ministério da Cultura, Ministério dos Negócios Estrangeiros, ...) para o caso de não saberem que o Manuscripto da Primeira História de Portugal se encontra na Biblioteca Nacional de Paris (que a tem obviamente bem guardada e em bom estado de conservação) e não, como deveria estar, em Portugal. Caso não fosse possível «resgatá-la», seria interessante dispormos pelo menos de um fac simile (se é que o mesmo já existe, o que desconheço...)

Outras considerações do Autor que apreciei bastante:

a) O Povo Português enquanto guardião intemporal da Soberania de Portugal, mesmo nos períodos de interregno;

b) Portugal cobiçado por ser uma espécie de Paraíso, com clima ameno;

c) A ideia de que, quando Portugal bater mesmo no fundo (e já faltou mais para o que falta), Deus virá levantá-lo;

d) Vendo o passado, actuar no presente e traçar o futuro;

e) A frase célebre de Fernão de Oliveira, «Os espanhóis são como a ervilhaça: onde crescem, tudo o mais esmorece».


Igualmente interessantíssimas:

a) As referências de Gonçalo Ribeiro Telles a Ilídio Araújo e a Augusto Ferreira do Amaral;

b) As observações de L.M.Correia relativamente à influência de Fernão de Oliveira quer na construção das actuais réplicas das caravelas Boa Esperança, Vera Cruz e Bartolomeu Dias, quer na influência exercida sobre Rogério de Oliveira na construção do Navio Portguês «FUNCHAL».

francisco disse...

Pelo pequeno resumo parece-me bastante interessante. Onde posso comprar o livros? Ja esta disponivel no mercado?

Sailor Girl disse...

Olá Francisco!
Sim, está à venda.

MCH, pode ajudar-nos com as referências?

mch disse...

Editora Roma.
O livro está quase esgotado. AMs vale a pena procurá-lo pois é uma obnra fantástica que inclui a reprodução do LIVRO de PORTUGAL, edição de 1581

a memoria disse...

eu nao preciso de direito para ser portugues.nasceu comigo que sou da nacao esse privilegio.
nem Portugal alguma vez precisou de ter direito.
foi e e...para ser nao precisa de mais.
este fernao oliveira pelos vistos tambem nao!
por isso e que os benms pensantes nao compram o manuscrito com o dinheiro dos cafes que gastam a discutir o assunto que esta roubado pelos franceses.

Sailor Girl disse...

À Memória: ENTÃO HÁ CONSENSO: VAMOS RESGATÁ-LO!... E A OUTROS BENS DA NAÇÃO!...

Ao MCH: faça-me o enorme favor de me reservar dois em meus nome, se o vir, para eu comprar e oferecer um ao s.o.s., que vai adorar!

Depois, quando o ler, ofereço-o à Senhora Ministra da Cultura.

EN GAAAAAAAAAARDE!.....

mch disse...

Sailor ; recado escutado e transmitido ao autor

Anónimo disse...

O livro pode ser encontrado no sítio da Roma Editora http://www.roma-editora.pt

pqp disse...

E para quando um resumo do livro do José Eduardo Franco