Abençoada a alma que escreveu, em resposta a Saramago:
"Mais vale ser português por um minuto que castelhano toda a vida."
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segunda-feira, julho 16, 2007
terça-feira, março 20, 2007
DESCOBRIRAM-NOS!

Artigo de JAS no Sol de 17/03/07
Cavaco na encruzilhada
(...)Em minha opinião, o Presidente da República deveria ter ‘causas’.
Deveria tomar em mãos três ou quatro questões ‘nobres’, contribuindo com o peso do cargo para a sua resolução.
Essas ‘causas’ terão de ser transversais, ou seja, deverão atravessar toda a sociedade, por forma a não poderem ser partidarizadas.
Pelo país inteiro há associações culturais formadas por voluntários que suspiram por tarefas com alguma dimensão a que se dedicar.
Ora, reunindo essas associações, aliciando mecenas (bancos, empresas, empresários, fundações), convocando os organismos do Estado com competências na matéria, o chefe do Estado pode lançar um grande movimento de regeneração do património nacional.
E o que se diz para o património pode dizer-se para a luta contra a droga ou contra a sida, para a reintegração na sociedade de ex-reclusos ou para a protecção de crianças vítimas de maus tratos.
Aliás, com os seus programas para a ‘inclusão’, Cavaco iniciou este caminho.
Mas as ‘causas’ têm de ter outra amplitude, outra dimensão e outro impacto mediático.
Têm de mobilizar e entusiasmar o país.
E isso supõe um envolvimento acrescido do Presidente da República.
(...)
Assumindo ‘causas’, mobilizando a sociedade para tarefas concretas, o Presidente engrandecer-se-á.
Pelo contrário, ficando prisioneiro do formalismo do cargo, pode chegar ao fim dos dez anos sem ter feito praticamente nada.
Cavaco, no fim do primeiro ano de mandato, foi elogiado por todos.
Eu sou menos encomiástico: penso que está numa encruzilhada.
Ou agarra um ‘papel’ onde se afirme pela positiva – ou tornar-se-á uma ‘rainha de Inglaterra’, a quem todos farão vénias mas que não deixará nenhuma marca para a História.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
(«Moment of Silence», visualizável AQUI) "A livre comunicação dos pensamentos é um dos mais preciosos direitos do homem". (artigo VIII da Constituição Portuguesa de 1822)
quinta-feira, janeiro 25, 2007
O Abbé Pierre não foi para o céu! por André BAndeira

Je ne sais pas si l'Abbé Pierre est allé au ciel. Tout le monde le dirait puisqu'il était déjá une éspèce de Saint avant qu'il était mort.
Je crois qu'il n'est pas allé au ciel. Parce qu'il était un de ceux qui croyait que Jésus est venu habiter entre nous, juste comme l'invité des pélérins d'Émmaus. Il l'a fait quand il s'est joint à la Résistance pendant l'invasion de la France par les Allemands. Il l'a fait quand il a soulevé tout le pays, au début des années cinquante, pendant un Hiver éxcessivement froid qui à gélé à mort un bébé d'une famille pauvre. Aujourd'hui les scandales et les tragédies sont fort plus singulières. C'est le froid des Hommes et pas le frère Hiver, qui tue. l'Abbé Pierre disait simplement que son amour pour le Christ l'empêchait de satisfaire ses besoins affectifs charnels avec une femme, par moyen d'un marriage, ou une relation durable avec une femme mais, pourtant, parfois il l'a fait. Il croyait q'un homme pourrait aimer un autre homme, ou une femme, une autre femme, aussi de cette façon-là. Il a eu un prêtre comme sécretaire pendant beaucoup d'années, de cette singularité affective et il l'a compris. Ils on passé le froid, la misère, la méfiance, chaqu'un vivant l'écharde dans sa chair, en se préoccupant plus des affaires journaliers des pauvres et des misérables. Il s'est mis du côtè de Garaudy, le philosophe de l'Humanisme communiste quand il s'est converti à l'Islamisme et traduit en Justice pour contester la doctrine officielle de l'Holocauste. Il s'est mis du côté des syndicalistes radicaux quand il a cru que c'était le chemin de la vérité et il les a fustigé aussi quand il a cru que c'était encore cette fois-ci, le chemin de la Vérité.
Il a été charnel, sec, tenace, déséspéré, révolté, humain, amusé, en colère, laid et beau comme un viel chêne. C'est pour ça qu'il n'est pas allé au ciel. Il est resté en arrière entre les pavés du trottoir que les parisiens de la Commune, arrachaient en rage et jétaient aux soldats, il est resté entre les cailloux des sentiers où les Chouans s'enffuyaient des Républicans de Paris. Il a crié comme un clochard de Paris et vociféré comme um guerrier gaulois nu, se jétant sur les Légions romaines dans une bataille qu'il savait perdue. Avec sa mine de druide, de fou de Dieu, d'anarchiste, de fasciste, de météque, de caillou.
Bénie soit la France de Sainte Jeanne D'Arc qui produit ces animations de la brousse, ces ombres du brouillard de Calais, quand les oiseaux sifflent les mêmes chansons des maquisards et des chouans.
Parce que nous croyons qu'il est vraisemblable que quelqu'Un a souffert et est mort pour nous, en se faisant chair, et poussière et pavé du trottoir, caillou du sol, par que notre vie ne fut pas en vain.
Do Duas Cidades
Do Duas Cidades
terça-feira, janeiro 16, 2007
José Eduardo Franco no 2º Encontro Debate do Blog das Causas

Teve ontem lugar em Lisboa o 2º Encontro do Blog de Causas. Nesta edição tivemos o previlégio de ter como orador o Prof. Doutor José Eduardo Franco, com uma intervenção dedicada ao tema "Os Mitos Fundadores de Portugal". José Eduardo Franco é autor de uma longa lista de publicações, sendo a mais recente "O Mito dos Jesuitas - Vol. I". Aqui fica um brevíssimo resumo daquilo que foi a sua intervenção.
Foi abordado como tema central a vida do Pe. Fernando Oliveira (ou Fernão de Oliveira), um dominicano que viveu no séc. XVI e da sua visão daquilo que foi a fundação de Portugal. Fernando Oliveira destacou-se como grande Homem do Renascimento, um humanista, sendo ele autor de variadíssimas obras cobrindo temáticas diversas como a Náutica (Ars Nautica), a Gramática (Grammatica da Lingoagem Portuguesa) ou a História (História de Portugal e Livro da Antiguidade, Nobreza, Liberdade e Imunidade do Reino de Portugal). No penúltimo caso, trata-se mesmo da primeira "História de Portugal" de que há registo, afastando-se das Crónicas, e tentando relatar os eventos históricos que imprimiram a Portugal a sua Identidade, desde tempos bíblicos até aos seus dias.
A "História de Portugal" (documento que José Eduardo Franco consultou na Biblioteca Nacional de Paris) surge imediatamente após o desastre de Alcácer Quibir, exprimindo e exaltando aquilo que eram as raisons d'être de Portugal, sendo assim uma tentativa de justificar o direito de Portugal a existir como Pátria independente. Segundo Oliveira, terá sido Tubal, neto de Noé, que teria sido enviado para o Ocidente, aportando na "ocidental praia" a que hoje se dá o nome de "Setúbal". Dado que, de acordo com o Antigo Testamento, teria sido no monte Ararat, na Arménia, o local onde assentou a Arca, teria sido Portugal, através deste descendente de Noé, palco de um povoamento por parte de Arménios (aliás, facto que segundo vários autores, é confirmado por diversos exemplos de toponímia). Fernando Oliveira estabelecia assim a fundação de Portugal "sacralizada" por um personagem bíblico, atribuíndo a D. Afonso Henriques o papel de Restaurador do Reino de Portugal e não o de seu Fundador.
Numa nota final, Fernando Oliveira foi magistral na critíca dos seus oponentes, sendo a sua grande arma o humor. "Depois de referir que Plínio que fala de Bardúlia, nome antigo dado ao espaço territorial ocupado por Castela, Fernando Oliveira chama “bárdulos” a homens precipitados e irreflectidos e “bardularia” ao comportamento feito de aldrabice e mentira."*
A intervenção de José Eduardo Franco neste nosso encontro, riquíssima em pormenores históricos, pode ser aprofundada através do seu livro "O Mito de Portugal" (ver capa).
Convidamos os nossos leitores a estarem atentos, visto que contamos em breve poder divulgar online, na íntegra e em formato de som, o conteúdo das intervenções futuras dos oradores convidados.
* - Luís Machado de Abreu no prefácio à obra O Mito de Portugal.
* * * * *
Adenda: Vide o link para o termo Bardúlia da Wikipedia Espanhola!... Sailor Girl
terça-feira, novembro 28, 2006
A minha aldeia
«Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.
Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Ângulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.
Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se rodeia em beleza.
Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valência de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que imergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.»
ADENDA: Coloquei este poema depois de ter visto o anterior, colocado por MCH. Coloquei-o abaixo (utilizando um truque informático muito simples...) para não tirar o destaque que temos de dar ao poema «Lágrima de preta» (que já se encontra estático, na coluna da direita).
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sexta-feira, novembro 24, 2006
«É nossa sina não caber no berço. Desde os primórdios que somos emigrantes. O português pré-histórico já era aventureiro, navegador, missionário, semeador de cultura. (…) Todos os caminhos transversais de Portugal vêm ter ao mar. Verificá-lo, é avivar na consciência a nossa razão de ser. Que nascemos para embarcar. Ou de imediato, ou na lembrança ou na imaginação.» Miguel Torga
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Causa do Mar
Padre António Vieira. Missionário jesuíta, viveu longos anos no Brasil. Como pregador, procurou intervir na vida política e económica do país, atacando, por exemplo, as perseguições aos cristãos-novos, o que lhe valeu conflitos com a Inquisição. Conselheiro e embaixador do rei D. João IV, foi um dos grandes representantes do messianismo nacional e da crença no Quinto Império português, contribuindo assim para a vitalidade de uma temática que teve continuadores como Fernando Pessoa, já no século XX. Pereira de Oliveira recordou-me hoje que era deste Grande «Causista» o entendimento de que Deus nos deu «tão pouca terra para o nascimento, e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para morrer toda a terra; para nascer, Portugal; para morrer o Mundo»...
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