terça-feira, abril 10, 2007

Genocídio. Sudão. Hoje.


Mesmo depois do Ruanda e da Jugoslávia, a Humanidade segue com a sua vida, impávida e serena, alheia aos mais de 200 mil mortos e aos mais de 2 milhões de desalojados na região de Darfur, no Sudão.

Já no Ruanda, em meados dos anos noventa, uma pequena força da ONU no terreno lutava para ganhar o apoio do Conselho de Segurança e da comunidade internacional para reforçar o seu contingente e tentar evitar o genocídio em grande escala que estava a presenciar. O general canadiano que comandava a missão falava da impossibilidade de estar num local onde corpos mutilados enchiam as ruas e nada poder fazer para impedir estes actos. A força da ONU foi no final reforçada, mas já bastante depois das atrocidades terem sido cometidas.

A mesma escala de violência (se é que a violência pode ser contabilizada) passa-se agora em Darfur, onde milhares são mortos, violados, torturados sem qualquer movimentação por parte dos media internacionais e dos agentes políticos cujo dever é defender a Causa da Humanidade e que estão vinculados, por acordos internacionais, a prevenir o genocídio, seja onde for que este aconteça.

O United States Holocaust Memorial Museum e o Google Earth aliaram esforços para tentar mostrar a extensão do problema. Ligue o Google Earth, e dirija-se à África Central, aí verá de imediato toda uma zona (ver imagem acima) que disponibiliza imagens, videos e informação sobre o que ali se passa.

Esperemos que com os mais de 200 milhões de utilizadores do Google Earth, este problema, que é nosso por que é da Humanidade, esteja presente nas acções e pensamentos daqueles que na realidade podem ajudar.

2 comentários:

cãorafeiro disse...

prezado leonardo, a questão é: nós, cidadãos dos países livres e democrátcos, estamos dispostos a apoiar uma intervenção militar que ponha termo ao conflito?

lembra-se de como a intervenção no kosovo foi criticada?

e qual seria a dimensão do contingente militar a enviar?

e quantos mortos no terreno?

é por esta razão que os estados preferem ignorar o que se passa no sudão.

Leonardo de Melo Gonçalves disse...

Caro Cãorafeiro,

A realidade é que não temos estado dispostos a qualquer movimentação nesse sentido, daí o meu post. Mas como compreenderá, claro que sou a favor de uma intervenção.

Não sei se conhece, mas há tratados internacionais assinados no rescaldo da II Guerra Mundial, onde praticamente todos os países se comprometem em combater o genocídio onde este ocorrer. Se se intervém militarmente por interesses geoestratégicos e económicos, há uma obrigação por parte dos estados que não foi imposta, mas assumida livremente, em agir activamente em situações de crises humanitárias - como é o caso de Darfur.

Os dados específicos do contingente e previsões quanto a baixas são da competência da ONU, mas se para alguns vale a pena morrer pelo petróleo ou pela influência geoestratégica, valerá decerto a pena agir para parar o genocídio.

Quanto ao kosovo, se bem me lembro, as críticas foram mais dirigidas à escala dos bombardeamentos liderados pelos Estados Unidos do que à intenção de parar os actos de extermínio étnico.