sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Bitola Europeia, por Rui Rodrigues




A compatibilização de políticas ferroviárias entre Portugal e Espanha é essencial.


· Os 2 países possuem uma bitola diferente da europeia e necessitam, o mais breve possível, de possuir uma rede em bitola standard, por forma a que os comboios possam circular livremente de Portugal para a Europa.
· O projecto avança em Espanha, a ritmo acelerado, o que lhe permite construir, entre 2007 a 2010, uma nova rede de 7200 Km de ferrovia para Velocidade Elevada (VE) Vmáx 250 Km/h e Alta Velocidade (AV) Vmáx 350 Km/h, em perfil misto, para passageiros e mercadorias, com cargas até 17 ton/eixo nas linhas de AV, ligada à Europa por 3 conexões: por Irun, Canfranc e Figueras.
· Madrid será, em breve, o centro de uma rede radial que a ligará a todas as suas capitais regionais.

O grande objectivo estratégico para a futura rede ferroviária portuguesa, que terá, como centro, a cidade de Lisboa, é o de se ligar ao restante território nacional, aos nossos 3 aeroportos internacionais, aos principais portos e estar coordenada com a futura rede espanhola, por forma a melhorar as ligações de Portugal ao resto da Europa.
Assegurar-se-iam, para o transporte de mercadorias, ligações do território e portos à rede europeia, em bitola (distância entre carris) standard, com velocidades médias de 100 km/h, o que viabilizaria entregas de material a 2000 Km em 20 Horas e, para passageiros, ligações de Lisboa ao Porto em cerca de 1,5 Horas e ambas a Madrid em menos de 3 horas.
Nestas condições, a rede ferroviária seria concorrente com o automóvel, pois a construção de uma linha férrea só se justifica se for competitiva com os outros modos de transporte.
Não se pode, assim, dissociar a nova Rede de Alta Velocidade da construção de um novo aeroporto. Acontece que, nos Países onde se efectuaram planeamentos cuidados, desenhou-se primeiro uma rede ferroviária que servisse o melhor possível as populações e, só depois, foi escolhida a localização mais apropriada para um novo aeroporto que coexistisse com a primeira. Em Portugal, os responsáveis projectaram exactamente ao contrário, escolheram o local para um novo aeroporto para depois se desenhar uma rede de AV condicionada àquela localização. Foi por esse facto, por se tentar adequar o desenho da nova rede ferroviária de AV a uma escolha errada, na nossa opinião, que não houve acordo entre Espanha e Portugal, na Cimeira de Valência.

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