quarta-feira, maio 30, 2007

Otar ou não Otar

«(...)Parece agora que se prevê a duplicação dos terrenos destinados ao novo aeroporto da Ota. Isto é dito como se fosse a coisa mais normal do mundo, e claro, tem o aplauso dos autarcas dos concelhos limítrofes, para quem o aeroporto é como pão para a boca. Pouco a pouco, o chão de betão alarga-se num contínuo entre Lisboa e Santarém, criando uma megacidade que terá, como sabemos de certeza absoluta, a qualidade de vida de Sacavém, Brandoa, Rio de Mouro ou Camarate. (...) Querem campo? Talvez em Freixo de Espada à Cinta ou aqui no Atlas, em Marrocos.»

José Pacheco Pereira, Revista SÁBADO. 24/05/2007

5 comentários:

Rodrigo disse...
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Sailor Girl disse...

Primeiro qualificam a margem Sul. Depois, qualifica-se Sacavém, Brandoa, Rio de Mouro e Camarate!! E o Estoril?? E Cascais?? E o Restelo?? Têm lá ido ultimamente???

Klatuu o embuçado disse...

Tanto aeroporto... num País cujo povo é o que menos viaja na Europa!

Sailor Girl disse...

Convido-os a ver o vídeo que pus hoje no Atlântico Azul da chegada do Círio da Fundação de Nossa Senhora da Atalaia à Doca da Marinha no Sábado!

Anónimo disse...

Tão Patriotas que Eles São...
Toda a gente ouviu a indignação dos promotores do estudo sobre a edificação do futuro aeroporto de Lisboa em Alcochete quando lhes foi perguntado se o avançavam por interesse económico. Foi um clamor: nada disso, diziam; que o estudo era patriótico [sic], juravam; que o que lhes interessava era poupar uns cobres ao depauperado Estado Português, afirmavam; que era vergonhoso supor - logo eles, tão amiguinhos da população como os sabemos! - que pudessem estar interessados em fazer negócio na Margem Sul: o dinheiro que dispendiam a pedir um novo estudo era um investimento a fundo perdido, a bem da Nação e da felicidade geral: em resumo, uns beneméritos...
As boas intenções, essas de que o Inferno está cheio, começaram a ceder quando se soube que a Lusoponte tinha estado entre os financiadores do estudo. Ou seja, quando se percebeu que a empresa que gere as pontes sobre o Tejo, por mera (e providencial, com certeza, sinal de que Deus ajuda quem ama a Pátria) casualidade estava entre os filantrópicos promotores da nova infra-estrutura. O facto de poder ganhar centenares de Euros caso a obra vá para lá do Tejo é mera casualidade, obviamente: estou firmemente convencido - e como eu os meus caros leitores, que não embarcam na maledicência dos inimigos da Pátria, que vergonhosamente insinuam os «interesses escondidos» dos nossos bondosos capitalistas - de que os gestores da Lusoponte nem sequer se lembraram disso quando desembolsaram a quantia que lhes foi pedida.
Mas agora há mais um dado que nos faz desconfiar da generosidade espontânea e extemporânea dos magnates portugueses: segundo denuncia a Associação Comercial do Porto ao Público o estudo encomendado começou por ser uma iniciativa tripartida entre essa organização patronal [a CIP], a Associação Comercial do Porto (ACP) e uma terceira confederação empresarial. Mas tudo mudou depois de uma reunião entre Francisco Van Zeller, José Sócrates e Mário Lino, onde se considerou “conveniente” que apenas a CIP ficasse encarregue da promoção do documento.
E de onde decorria esta «conveniência» a que o talvez-Eng. Pinto Sousa e seus sequazes faziam referência? Ao que transparece, o estudo de uma opção Portela + 1, que constava do estudo preliminar e é considerado essencial pela ACP, acabou também por ficar pelo caminho.
Vamos lá ver se eu percebo: a ACP fez menção à inclusão no estudo da construção de um aeroporto complementar ao da Portela, que não teria de ser feito de raiz, e está na esteira do que fazem todas as cidades com grande tráfego aéreo no Mundo inteiro. No entanto, o Governo, preocupado com como está com a poupança de dinheiro... retira-os da corrida, e só deixa em jogo as duas opções mais caras???
Tudo isto cheira que tresanda a favorecimento: a CIP é com certeza a representante do lóbi que financiou a campanha socialista para as Legislativas: e agora que o partido está no poder, reclama pagamento - de preferência com uma obra pública à partida obscenamente cara, e que mais ainda o será com as previsíveis derrapagens que por aí virão. Tudo evidente demais.
Perguntar-se-á? Mas então, porque quiseram eles a obra de Alcochete, mais barata do que a Ota? Porque fizeram estudos nesse sentido? Por duas razões: por um lado, porque a mobilização da opinião pública contra a política de facto consumado em relação à Ota obrigou o XVII Governo a dar uma amostra de abertura a outras possibilidades - essa vitória ninguém no-la tira; contudo, para a contornar, pediram à CIP que fizesse um estudo a equacionar Alcochete - e só Alcochete - para poderem depois tomar uma de duas medidas: ou chegar à conclusão que, estudadas todas as alternativas, até à última, a Ota continua a ser a mais viável, ou então, num rasgo de abertura que lhes pode valer votos depois de três anos (que na altura já terão passado sobre a governação) de um ministério intratável, aceitar Alcochete, e, aproveitando a embalagem, purgar Mário Lino, um dos pesos mortos do Governo, permitindo assim a chegada a 2009 com um Executivo livre de todas as nódoas de imagem, bem limpinho e aprumado, talhado para ser apresentado ao Povo.
Numa situação destas, o que pode o Povo fazer? Mobilizar-se, todo e de uma vez, exigindo que se estude a opção do aeroporto complementar à Portela. É bastante triste que os mesmos partidos que investem com quantas forças têm sobre a Ota tenham fundos para campanhas eleitorais zilionárias mas não estejam dispostos a abrir cordões à bolsa para aferir esta nova posibilidade. Triste e demonstrativo da sua mediocridade e incapacidade de visão: que outra coisa lhes podia valer mais votos na campanha para as Intercalares de Lisboa do que poderem dizer «nós é que nos preocupámos com a manutenção do aeroporto na capital»? São ignaros, são incompetentes, são de uma falta de lucidez completa. Mas se eles estão nestas condições, que as não partilhe o Povo, e exija que se estude a possibilidade mais barata: a bem do gasto judicioso do sagrado dinheiro dos contribuintes, tão propalado por todos mas praticado por ninguém.JV