quarta-feira, maio 30, 2007

O Dever do Rei




Numa conversa com uma amiga minha, republicana, esta disse-me: "Então mas que tem o Rei, que é, no fundo uma pessoa de carne e osso, como nós todos, que é no fundo igual a todos os homens, em termos fisícos. Como pode essa pessoa, igual a todos os outros seres humanos, poder ser mais do que os outros, do que nós todos?"

Na altura respondi que o Rei, mesmo que seja igual a todos os outros seres humanos, tem o Dever - não o direito - de representar, no Trono ou fora dele, uma Dinastia a que faz parte, uma Família Real a que lidera e de quem é Herdeiro.

O Rei é o Herdeiro da História de um Povo. No que toca a Portugal, SAR o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, é o nosso Rei, pela responsabilidade que tem em Representar a Herança Histórica da nossa Pátria, as suas Tradições e o que temos de melhor. É uma grande responsabilidade que só lhe cabe a ele e a mais ninguém. O seu Estatuto de Rei, de jure, de Portugal, não é um Direito, mas um Dever, que cumpre com toda a Humildade que lhe é caracteristica. Quem ler o livro "Dom Duarte e a Democracia" da Editora Bertrand, cujo autor é o Professor Doutor Mendo Castro Henriques, perceberá bem o que estou a dizer.

O Rei, sendo um Ser Humano, como todos nós, é o Primeiro entre Todos Nós. O Primus Inter Pares dos novos Tempos.

4 comentários:

Leonardo de Melo Gonçalves disse...

Talvez fosse bom explicar à tua amiga que também o Presidente da República é de carne e osso, mas que o seu trabalho não é "ser mais do que nós" é tentar representar o seu povo.

Do mesmo modo, o Rei nasce no seio de uma família específica, com um contexto específico e numa altura concreta - como todos nós!

A questão é que, a meu ver, é preferível ter alguém que nasceu para nos representar a fazê-lo, do que alguém que passou a vida nos meandros da política a tentar desesperadamente ser neutral e conciliador. Penso que o primeiro fará um trabalho bastante mais próximo das necessidades de representação do interesse de todos nós do que o segundo.

Klatuu o embuçado disse...

Exacto!

Anónimo disse...

Em termos monárquicos, D. Duarte é como um placebo, existe mas não faz efeito nenhum. Como figura de chefe de estado seria tão credível como o Batatinha a fazer de Hamlet. É fácil de imaginar, numa cimeira Luso-Ibérica, o Rei Juan Carlos a dar calduços no D. Duarte, a pregar-lhe rasteiras ou a fazer-lhe o famoso puxão da cueca.

Anónimo disse...

Não sou monárquico, sou republicano como opção governativa e de representatividade nacionais.

Afirmo no entanto que D. Duarte poderia é na verdade é um exemplo em vários aspectos para a maioria dos políticos que conhecemos.

Mesmo republicano, aceito que a monarquia possa ser referendada, reconhecendo no entanto as implicações inerentes. Que alguém sendo rei, o possa ser em excelência, não garante que os sucessores directos o sejam igualmente.

Brincando um pouco, se me permitem, de facto em relação aos presidentes que temos tido, a diferença também não tem sido muita. Uns pouco fazem e outros anda menos.

RG